Capítulo 8 - Alina
— Não se preocupe, não vamos machucá-la. — Kaian disse antes de voltar a andar me levando para fora de mãos dadas, seguindo pelo caminho de cascalho.
As palavras deveriam me tranquilizar, mas só fizeram meu coração bater mais rápido
Minhas pernas bambearem e eu quase perdi o equilíbrio nos sapatos de salto alto que não usava há muito tempo, mas antes que eu caísse o braço dele envolveu minha cintura me segurando com firmeza e me mantendo de pé enquanto ele esperava que eu me recuperasse.
Ele não disse uma palavra, apenas me olhou de esguelha com o rosto assumindo uma expressão totalmente diferente, ele nem mesmo parecia o mesmo homem de segundos atrás dentro de sua casa, era como se ele… me odiasse. Mas porque seu toque parecia dizer outra coisa?
As palavras de Leon em minha casa voltaram a minha mente, ele podia ser rude, mas não era pessoas. Eu tinha que me lembrar disso já que ele odeia a todos os humanos, talvez quando me conhecesse tudo mudasse.
— Posso andar sozinha. — murmurei arrumando a saia do vestido, mas ele não disse nada, apenas esperou que eu estivesse pronta pra voltar a andar.
Kaian não disse uma palavra e eu agradeci que não levou mais do que alguns passos para que o som dos convidados nos alcançasse, ou enlouqueceria com aquele silêncio ensurdecedor entre nós.
O pôr do sol tingia o céu de um laranja magnético, era impossível não olhar, especialmente ao vê-lo refletido na superfície do lago. As árvores altas ao redor, se balançavam criando uma sinfonia e formavam um arco em volta de onde um senhor, com longos cabelos grisalhos nos esperava de frente para todos.
Kaian nos guiou até estarmos diante do lago e a cada passo o silêncio aumentou, todos foram se calando até que não houvesse nem mesmo um sussurro, eu só não sabia dizer se era por respeito à cerimônia ou por me ver ali de mãos dadas com o alfa deles.
Ele parou se virando de frente para mim, me encarando com aqueles olhos dourados, que refletiam a luz do sol, dando um brilho ainda mais intenso às íris dele. Kaian desceu a mão livre por meu braço até segurar minha outra mão, me fazendo prender a respiração quando os dedos dele deslizaram em minha pele, segurando minha mão com firmeza.

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