— Pode beijar sua companheira.
Eu estava esperando por isso desde o momento que coloquei meus olhos nela usando aquele vestido. Então sem que ela esperasse eu a agarrei pela cintura e puxei seu corpo contra o meu, unindo nossos lábios em um beijo faminto.
Levou um segundo para que Alina se recuperasse do choque e começasse a se mover comigo, os lábios seguindo meus movimentos, se rendendo, antes que eu deslizasse minha língua para dentro de sua boca, sentindo um sabor doce que eu não conseguia decifrar, mas que foi capaz de despertar meu lobo, que rugiu querendo reivindicá-la.
Meu corpo inteiro pulsava com um desejo feroz que explodiu em minhas veias, como se meu sangue clamasse por ela, exigindo mais, exigindo tudo. Meu lobo rugiu dentro de mim, suas garras arranhando minha mente, implorando para que eu a tomasse ali mesmo, para arrancar aquele vestido delicado e marcá-la como minha. Minha luna. Minha companheira.
Aquilo era loucura, proibida, mas a força daquele impulso me fazia tremer. Eu não queria isso. Não podia querer. Ela era humana, um lembrete dos monstros que destruíram minha família. Mas com seus lábios macios se rendendo aos meus, seu gemido baixo ecoando em minha garganta, resistir era como lutar contra a própria gravidade.
Porra! Aquilo não podia acontecer, mas eu não conseguia tirar minhas mãos dela. Até que uma batida em meus ombros me fez soltá-la rapidamente, como se ela tivesse me queimado.
— É hora de festejar a união do nosso Alfa! — ouvi alguém gritar e todos começaram a se afastar em direção a festa.
As palmas dos convidados explodiram ao nosso redor e eu arfei, me afastando ainda mais dela enquanto lhe dava uma última olhada. Seus olhos verdes estavam levemente arregalados e ela estava completamente ofegante, me encararam com um desejo que me chocou. Ela também sentia o mesmo, se era impossível para alguém como eu ficar indiferente, imagine uma humana.
Meu lobo rosnou, frustrado, mas eu o forcei a se calar, dando outro passo para trás, tentando recuperar o controle. Não. Ela não seria minha luna. Isso era só um acordo, um meio para um fim e nunca passaria disso.
A multidão nos engoliu, puxando-nos para a festa como se o momento entre nós nunca tivesse acontecido. Mesas rústicas de madeira espalhavam-se pelo campo, decoradas com galhos retorcidos, flores silvestres e lanternas que brilhavam como estrelas. O cheiro de churrasco pairava no ar, a fumaça das brasas misturando-se ao som de risadas e uivos de celebração.
Minha alcatéia estava animada, os rostos iluminados pelo fogo e pela bebida, comemorando a conquista das terras dos Lancaster. Mas para mim cada sorriso parecia esconder uma ponta de desconfiança, cada olhar na direção de Alina e seu pai carregava um veneno mal disfarçado. Eles eram humanos e aquela espécie não era bem-vinda ali.
Mesmo assim, alguns se aproximavam da mesa onde Duncan estava, oferecendo cumprimentos forçados, as vozes frias e os olhos duros, enquanto eu apenas observava de longe, tentando ignorar o peso no peito e tirar da minha mente o gosto de Alina que ainda queimava em meus lábios, assim como o perfume que agora estava impregnado em mim.
Alina estava ao lado do pai, o vestido branco brilhando sob as luzes, seu rosto delicado tentando esconder o desconforto enquanto respondia aos poucos que se aproximavam. Leon era o único que parecia à vontade com eles, rindo alto e puxando conversa como se fossem velhos amigos.
O idiota sempre soube como aliviar qualquer tensão, mas eu não podia negar que sua facilidade com Alina me irritava mesmo que eu não soubesse o porque, afinal eu não tinha motivo para sentir ciúmes, ela não era nada para mim além de um contrato.
— Está com cara de quem quase devorou a noiva na frente de todo mundo, mas foi interrompido — Leon disse aparecendo ao meu lado com aquele sorriso provocador que me dava vontade de socá-lo e uma caneca de cerveja. — O cheiro de vocês dois durante aquele beijo? Meu amigo, estava evidente para qualquer um com um nariz decente.

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