Caleb
— Eu esperava mais de você, Caleb.
A voz do meu pai cortou o ar como uma faca. Seca. Firme. Cheia de decepção.
Eu estava sentado à frente da grande mesa de carvalho no escritório da mansão Belmont. Aquele lugar sempre me pareceu frio, mesmo com a lareira acesa. Mas hoje, o que gelava mesmo era o olhar dele. Bernardo Belmont. Meu pai. Meu modelo. E, naquele momento, meu maior acusador.
— Você é um irresponsável! — ele continuou, andando de um lado para o outro como um touro bravo. — Eu coloquei minha confiança em você. Achei que o casamento com a Pamela te faria crescer, te tornaria mais maduro, mais... humano! Mas olha só pra onde você nos levou!
Não falei nada. Só continuei ali, quieto, olhando para o chão.
— Está em todos os sites! TV, jornais, redes sociais. Caleb Belmont, o CEO que sai de uma balada carregando a sua mulher bêbada! Isso é o que você quer ser? Um moleque mimado? Um playboyzinho que só pensa no próprio prazer?
Ele me olhou nos olhos, a voz tremendo de raiva.
— Egoísta! É isso que você é! Um egoísta!
Doía. Cada palavra. Porque ele tinha razão.
Pelo menos… até agora.
— Se esse casamento não for te mudar pra melhor, então acabe com isso, Caleb. Se divorcie da Pamela antes de arrastá-la ainda mais pra esse circo que você criou!
— Não! — minha voz saiu firme, mais do que eu esperava.
Meu pai arregalou os olhos. Parou de andar. Ficou me encarando.
— O quê?
Levantei os olhos pra ele. Agora era a minha vez.
— Eu não posso me divorciar da Pamela.
Ele franziu a testa.
— E por que não?
Respirei fundo.
— Porque eu amo ela.
O silêncio tomou o escritório. Nem o estalo da lenha na lareira se ouvia mais. Meu pai parecia congelado.
— Eu estou completamente apaixonado pela Pamela — repeti, mais calmo.

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