Caleb
O jantar havia sido, no mínimo… constrangedor.
Minha mãe, como sempre, estava animada demais, falando alto, elogiando a comida como se aquilo fosse um banquete de casamento real. Meu pai manteve o olhar sério o tempo todo, como se apenas tolerasse minha presença por educação. E Pamela… bem, Pamela estava linda demais. E cada vez mais distante de mim.
Ela sorriu, respondeu às perguntas da minha mãe, fez elogios ao vinho e à sobremesa, mas não me olhou uma única vez. E quando o fez, foi aquele tipo de olhar que não deixa dúvidas: você está incomodando.
Eu queria encurtar o jantar só pra poder falar com ela, tentar resolver as coisas. Mas parecia que, quanto mais eu tentava me aproximar, mais ela construía uma muralha entre nós.
Depois do jantar, subimos juntos para o quarto. Em silêncio.
Pela primeira vez, reparei com mais atenção naquele quarto enorme. As janelas altas com cortinas de linho, o chão de madeira escura brilhando com a luz do lustre, e a cama, grande o suficiente para caber um casal com todos os seus problemas.
Tirei a camisa, soltei o nó da gravata e fui até o closet, trocando por uma calça de moletom e uma camiseta cinza. Estava cansado. Mas ainda mais cansado de não saber o que fazer com aquilo que sentia.
Me joguei na cama, sentindo o colchão macio ceder ao meu peso.
Pamela, que estava parada perto da penteadeira, virou lentamente para mim com uma expressão dura no rosto.
— Você tá fazendo o quê?
Levantei uma sobrancelha, já prevendo a resposta.
— Indo dormir. Por quê?
Ela cruzou os braços e me encarou com firmeza.
— Você vai dormir no sofá.
Suspirei, passando a mão pelos cabelos.
— Pamela…
— Eu tô falando sério, Caleb. O mínimo que você pode fazer depois de tudo é respeitar o meu espaço. Vai dormir no sofá.
— Isso não faz sentido — respondi, sentando na beira da cama. — A gente já dormiu juntos antes. E não foi só dormir, você sabe disso.
— Justamente por isso — ela rebateu com a voz baixa, mas cheia de raiva contida. — Eu não quero mais cometer esse erro. Já basta de me sentir usada.
Aquilo me atingiu em cheio.
— Você não foi usada, Pamela — falei, levantando. — Eu nunca quis que se sentisse assim.
Ela bufou.

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