Caleb
Cheguei no hospital quase arrombando a porta da emergência.
O coração batia descompassado, a respiração pesada. Vi minha mãe, Vitoria sentada em uma das cadeiras da recepção, com o rosto enterrado nas mãos. Nicolas andava de um lado para o outro, os olhos arregalados, a mandíbula travada.
— Onde ele está? — perguntei, a voz saindo rouca.
Minha mãe levantou o rosto. Estava pálida, devastada.
— Estão atendendo ele agora, Caleb… Ele sentiu muita dor no peito, quase desmaiou.
Um gosto amargo subiu pela minha garganta. Passei a mão pelos cabelos, tentando pensar direito. Mas era impossível. Tudo que eu conseguia imaginar era o rosto do meu pai, o homem que sempre foi uma fortaleza para nossa família, caído, vulnerável.
— Infarto? — perguntei, já sabendo a resposta.
Nicolas se aproximou, o olhar duro.
— Provavelmente. — Sua voz soou baixa, pesada. — Fizeram os primeiros exames aqui, mas mandaram direto pra emergência. Estão tentando estabilizar ele.
Olhei ao redor. Enfermeiros corriam pelos corredores. Médicos entravam e saíam de portas duplas. O cheiro de desinfetante queimava minhas narinas. Gritos, telefones tocando, passos apressados. Um caos organizado. Mas na minha cabeça era só confusão.
— Filho — minha mãe me chamou, segurando minha mão com força. — Eu estou com medo…
Abracei ela forte, sentindo o tremor em seu corpo. Era estranho. Eu sempre vi minha mãe como uma mulher firme, elegante, indestrutível. Agora ela parecia pequena nos meus braços.
— Ele vai ficar bem, mãe. — Eu disse, mas nem eu acreditava naquilo.
Nicolas se sentou ao nosso lado. Passou as mãos nervosamente sobre os joelhos.
— Por que ele não disse que estava sentindo alguma coisa? — murmurou. — Ele devia ter feito check-up. A gente devia ter insistido mais!
O peso da culpa pairava no ar, sufocando todos nós.
Eu me lembrava de como, nas últimas semanas, papai parecia cansado. Como ele adiava os exames, dizia que era só estresse, que precisava trabalhar mais para “deixar tudo em ordem” pra gente.
Porra, pai…
O tempo parecia não passar. Cada vez que uma enfermeira surgia, meu coração pulava na garganta. Mas não chamavam nosso nome. Não chamavam ninguém.
— Caleb… — minha mãe sussurrou. — E se ele…?
— Não fala isso — cortei, minha voz mais áspera do que queria.
Ela soltou um soluço baixo e encostou a cabeça no meu ombro. Nicolas esfregou as mãos no rosto, como se tentasse afastar os pensamentos ruins.
Me levantei, começando a andar de um lado para o outro também. Precisava fazer algo, qualquer coisa. O pior era essa espera, essa sensação de impotência esmagadora.

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