Caleb
O tempo parecia se arrastar. Estava sentado em uma das cadeiras duras da recepção, com o rosto apoiado nas mãos, o corpo inteiro tenso. Nicolas mexia no celular sem prestar atenção, só para tentar ocupar a mente. Minha mãe ainda não tinha voltado da UTI e cada segundo de espera era uma tortura.
Ouvi passos apressados e, quando levantei a cabeça, vi Pamela entrando pelo corredor.
Meu peito aliviou instantaneamente.
Ela caminhou rápido até mim, a expressão preocupada.
— Caleb! — chamou, parando na minha frente. — Como estão todos? Como está seu pai?
Levantei, sem pensar, puxando ela para um abraço.
O calor do corpo dela contra o meu trouxe um pouco de paz naquele inferno de ansiedade. Apertei ela forte, como se precisasse daquele toque para me manter de pé.
— Ainda não sabemos muito — falei, a boca perto do ouvido dela. — Ele sentiu dores no peito... Estamos esperando mais informações.
Ela se afastou um pouco para olhar nos meus olhos, o rosto cheio de carinho e preocupação.
— Vai ficar tudo bem — disse com suavidade.
Eu queria acreditar. Queria muito. Só consegui assentir.
Pamela sentou ao meu lado, segurando minha mão. E, por mais que o medo ainda me consumisse por dentro, tê-la ali deixou tudo menos insuportável.
Os minutos seguintes se arrastaram como horas. Um silêncio pesado pairava entre nós. A televisão na sala de espera passava algum programa aleatório, mas ninguém prestava atenção. Apenas esperávamos. Cada som de passos vindo do corredor nos fazia levantar o olhar, na esperança de boas notícias.
Até que, finalmente, depois de longos trinta minutos, uma enfermeira apareceu.
— Família Belmont?
Eu e Nicolas levantamos de imediato, minha mãe já vinha vindo pelo corredor, secando os olhos.
— Sim — dissemos quase ao mesmo tempo.
A enfermeira deu um sorriso pequeno.
— O doutor quer falar com vocês. Podem me acompanhar, por favor.
O coração martelava no meu peito enquanto seguimos ela pelo corredor branco e frio. Pamela ficou na recepção, me lançando um olhar de apoio.
Passamos por portas duplas até uma salinha de atendimento, onde o médico da emergência nos esperava.
Ele sorriu de maneira leve, o que já fez meu peito aliviar um pouco.

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