Acordei com o calor do corpo do Caleb grudado no meu, o braço dele pesado e protetor me envolvendo pela cintura. Abri os olhos devagar e dei de cara com ele, deitado de lado, me observando com aquele sorrisinho preguiçoso que sempre me desmonta inteira.
— Bom dia, amor — ele disse, a voz grave, rouca, daquele jeito que arrepia até a alma.
— Bom dia — sorri, passando os dedos pelo cabelo dele bagunçado.
Ele aproximou o rosto, nossos lábios se tocaram num beijo lento, cheio de carinho, mas com aquela pontinha de desejo que sempre existia entre nós. Eu podia passar a vida inteira beijando esse homem e nunca ia me cansar.
— Eu te amo, Pamela — ele falou contra minha boca, sério, com os olhos fixos nos meus.
Meu coração disparou. Eu nunca ia me acostumar com isso.
— Eu também te amo, Caleb.
Ele sorriu satisfeito, me puxou mais pra perto e beijou minha testa.
— Hoje eu tenho algumas reuniões fora, então vou chegar mais tarde na empresa. Mas não se preocupa, a gente se vê mais tarde, tá?
— Tá bom — respondi, tranquila. — Vai lá resolver suas coisas, eu vou tocar o trabalho daqui.
Ele assentiu, mas antes de levantar, me roubou mais um beijo demorado, daqueles que deixam a gente tonta. Quando ele saiu da cama, eu fiquei olhando, admirando sem vergonha nenhuma. Aquele homem era meu, e só de pensar nisso, eu sentia uma felicidade que mal cabia dentro de mim.
Depois que ele foi se arrumar, eu também me levantei. Me olhei no espelho, ajeitei o cabelo, passei uma maquiagem leve e escolhi uma roupa que me deixava confiante sem exagero. Hoje eu estava especialmente animada, porque tinha conversado com a Vitória, minha sogra, e a forma doce e acolhedora dela me deixara em paz. Eu sentia que, finalmente, eu estava começando a fazer parte daquela família de verdade.
Fui para o trabalho com o coração leve. No carro, coloquei uma música animada e cantei junto, como se o mundo inteiro fosse cúmplice da minha felicidade. Estacionar na garagem da empresa já não me dava mais aquele frio na barriga que dava no começo. Eu me sentia segura, sabia que tinha o Caleb do meu lado e isso era suficiente.
Cheguei à minha mesa, cumprimentei algumas pessoas e logo mergulhei nos relatórios. A manhã passou rápido, eu estava tão focada que quase esqueci do tempo. Só percebi quando senti vontade de ir ao banheiro.
Levantei, ajeitei a saia e fui em direção ao corredor. Foi aí que passei pela mesa da Clarisse.
E quase tropecei de tão chocada.

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