modo como ele disse aquilo fez um arrepio descer pela minha espinha inteira.
Não era ameaça.
Era promessa.
— está fora de cogitação. Ainda mais agora que a Mel está tão apegada a você.
Meu coração afundou.
— Não é isso.
Eu respirei fundo, sentindo a água fria contrastar com o calor do corpo dele.
— Eu só quero falar com a minha mãe. Você não me deixa ter um telefone. Não me diz nada de como ela está Eu só… quero ouvir a voz dela. Saber que ela está bem.
Por um segundo, vi algo diferente no rosto dele. Não era raiva. Era tensão.
— Eu já disse que você vai falar com ela.
— Mas ainda não cumpriu com sua palavra.
Minha voz saiu mais alta do que eu queria.
— Se não deixei é porque…
Ele hesitou.
E aquilo me apavorou.
— Porque o quê? — meu corpo se afastou instintivamente do dele.
— Aconteceu alguma coisa com ela?
O mundo pareceu diminuir ao redor.
— Não.
Ele segurou meu braço antes que eu me afastasse completamente.
— Sua mãe está bem. Pode acreditar em mim.
— Então por que eu não posso falar com ela?
Ele passou a mão pelos cabelos, claramente irritado.
— Porque eu ainda não a encontrei.
O chão sumiu sob meus pés.
— Como assim…?
Minha voz virou um sussurro.
— Você disse que a mandaria para Madri. Para a casa da minha tia.
— E mandei.
A mandíbula dele travou.
— Mas sua mãe resolveu sair de lá assim que teve oportunidade. Por conta própria.
Meu coração batia tão forte que doía.
— E você não sabe onde ela está?
— Eu sei que ela está viva. A última informação que recebi confirma isso.
— Como pode ter certeza se nem sabe onde ela está?
Ele se aproximou de novo.
Não com desejo dessa vez.
Com controle.
— Eu tenho meios e poder suficiente para isso.
A forma como disse aquilo não foi para me tranquilizar.
Foi para me lembrar de quem ele era.
Ele saiu da piscina primeiro, a água escorrendo pelo corpo definido, completamente à vontade.
— Saia. Se arrume.
Ele me olhou por cima do ombro.
— E vá ao meu escritório.
Meu estômago apertou.
— Tenho algo importante para te contar.
Não era convite.
Era ordem.
E pela primeira vez, o que me fez tremer não foi o desejo.
Foi o medo do que ele ainda não tinha dito.

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