Eu senti aquilo como um golpe.
.— Você já pensou que ela pode estar sendo forçada? Que talvez ele tenha obrigado ela a dizer aquilo?
Eu precisava me agarrar a essa possibilidade.
— Às vezes eu penso que minha mãe pode ser tão vítima quanto eu.
Ele me olhou por alguns segundos.
— Eu poderia dizer que você é ingênua.
A voz dele ficou mais baixa.
— Que prefere enxergar só o lado bom das pessoas.
Eu respirei fundo.
— Você ainda não respondeu. Por que se arrisca tanto por mim?
Meu coração batia forte.
— Você está disposto a começar uma guerra. só para mão me entregar para o tal Alejandro.E não me diga que é por causa da Mel. Eu sei que não é.
Ele deu um meio sorriso.
Perigoso.
— Pense o que quiser.
Ele se aproximou devagar.
— Talvez eu te deseje tanto que esteja disposto a começar uma guerra só para ter você.
O calor subiu pelo meu pescoço, mesmo com tudo que tinha acabado de ouvir.
— Ou talvez eu só queira ser o primeiro.
A voz dele ficou mais baixa.
Mais crua.
— Tirar sua virgindade… e depois te entregar para o Alejandro e ter a satisfação que eu usei a merdoeis que ele comprou antes dele.
As últimas palavras dele ainda ecoavam no ar quando algo dentro de mim simplesmente explodiu.
Eu me levantei sem pensar.
O tapa veio rápido.
Seco.
O estalo ecoou pelo escritório, apagando o sorriso arrogante do rosto dele no mesmo segundo.
O silêncio que veio depois foi pesado.
Denso.
Perigoso.
Por um segundo eu achei que ele fosse revidar. Que a tempestade que vi surgir nos olhos dele fosse cair sobre mim.
Mas não foi assim.
A expressão dele mudou.
Não era raiva descontrolada.
Era algo mais escuro.
Mais primitivo.
Ele avançou.
A mão dele se fechou na altura da minha nuca, puxando meus cabelos com firmeza suficiente para me dominar, mas não para machucar.
Meu corpo colidiu com o dele.
E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele tomou minha boca.
Não foi um beijo suave.
Foi invasivo.
Quente.
Possessivo.
Mais uma resposta do que um carinho.
Mais um aviso do que um gesto.
Os lábios dele se moveram com intensidade, exigindo reação, exigindo presença. Era como se ele estivesse dizendo, sem palavras, que eu tinha cruzado uma linha.
E o pior…
Meu corpo respondeu.

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