Essas palavras tinham muitos furos.
O tio motorista engoliu em seco, pegou o celular, entrou em um grupo e digitou: [Me manda de novo aquela foto do golpista que mandaram da última vez, acho que encontrei ele.]
Cícero: [!! Não acredito, o golpe chegou em você? /imagem/]
O tio motorista viu a foto e suas pupilas se dilataram. [Essa moça está no meu carro!]
Carlos: [Chama a polícia logo, ela tá carregando quinhentos milhões, se a polícia confirmar que é verdade, meus trinta mil voltam pra mim.]
Mensagens pedindo para o tio motorista chamar a polícia chegavam uma atrás da outra.
O sinal abriu, mas o carro não andou.
Buzinas soaram.
O tio motorista se assustou, largou o celular e logo deu partida no carro.
No trajeto, ele olhava para o celular de vez em quando, o coração em conflito.
Esses golpistas sempre tinham cúmplices, e ele tinha medo de sofrer represálias.
Quando estava quase chegando ao destino, o tio motorista respirou fundo e apertou o botão de emergência.
Piiii—
"Alô, aqui é o 190, central de emergência, em que posso ajudar?"
O noticiário que tocava no rádio foi interrompido pelo som da ligação de emergência.
Regina levantou os olhos, olhou para o banco do motorista, com uma expressão de dúvida.
A voz do tio motorista tremia um pouco: "Eu sou motorista, tem uma golpista no meu carro, o que eu devo fazer?"
Regina: "..."
A atendente perguntou: "A pessoa está armada? Existe risco para sua segurança?"
"Acho que ela não está armada, é uma moça, acho que consigo me defender."
"…"
"Senhor, desde que sua segurança esteja garantida, sugerimos que o senhor leve o carro diretamente até a delegacia."

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