Lágrimas escorriam pelo rosto enrugado de Fernando, e sua voz embargou.
"Eu pensei em guardar, esperar ela se casar, juntar uns trezentos, quatrocentos mil reais de dote. Nós nunca criamos ela, fizemos tão pouco..."
"Desculpe, nós vamos embora agora."
Era a primeira vez que via um homem de meia-idade chorar na sua frente. Júlio, de repente, sentiu-se culpado. Quando pensou em dizer algo para consolar, Fernando endireitou as costas, puxou a esposa e saiu apressado.
Ele suspirou, passou a mão pelos cabelos e entrou em casa com o rosto cansado.
Só quando dobraram a esquina Fernando soltou a mão de Camila e seguiu andando sozinho.
Camila, aflita, apressou o passo para alcançar o marido. "Fernando, então não vamos mais pedir dinheiro pra Tina? E o nosso filho, como vai ficar?"
Fernando respondeu com o rosto fechado, a raiva contida na voz: "Mulher burra, não ouviu o Júlio dizer que já recebemos dois milhões da Tina? Se ofendermos ele, não teremos mais chance de ver ninguém! Se for procurar a Tina, tem que ser longe do pessoal da Família Lima."
Camila fungou e ficou em silêncio.
Na manhã seguinte.
Tina recebeu alta do hospital.
Exceto Bruno, que estava trabalhando na empresa, toda a família foi buscá-la.
Ao ver o machucado na testa da neta, Sr. Otávio demonstrou preocupação: "Recebeu alta tão rápido, o que o médico disse? Vai ficar cicatriz?"
"Vovô, o médico disse que não vai deixar marca nenhuma. Ficar no hospital é tão chato, eu estava quase mofando lá."
A voz dela saiu suave, com um leve tom nasal, e os lábios pálidos mostravam ainda um aspecto debilitado.
Mesmo assim, Tina continuava sorridente, tentando animar todos à sua volta.
Ninguém presente deixou de se comover com ela.
Vendo que Júlio ainda estava parado, Tina perguntou, confusa: "Júlio, já cheguei em casa, pode voltar pra aula!"

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