Zephyrine
O crepúsculo que se abateu sobre a Matilha Branca parecia mais pesado do que qualquer noite que já vivi.
Segundos se arrastaram em minutos, minutos se tornaram horas, e o céu, que antes clareava, mergulhou outra vez no negro.
Nyroth havia prometido que voltaria. Lycannar… não. Ele partiu sem uma palavra, sem um adeus. Nem mesmo um olhar. Ele e sua irmã se foram, e até eu comecei a acreditar que ele faria de novo o que já fez dias antes, quando fui chamada ao conselho, me deixar esperando no silêncio.
Me sentei na cama, os olhos perdidos no vazio diante de mim. Não encontrei meu irmão, e a Matilha Ash ainda precisava de um Alpha. Eu realmente deixaria tudo isso para trás?
A porta se abriu suavemente, e Blue entrou com uma bandeja de jantar. Seus olhos pousaram em mim. Dizer que estava preocupada seria pouco.
— Já é noite, minha senhora. Trouxe sua refeição. Depois, posso preparar seu banho. Então, você poderia…
— Saia — interrompi, encarando-a.
Mas o olhar dela apenas se suavizou, tão cheio de ternura, que a culpa me atingiu de imediato.
— Minha senhora…
Baixei o rosto, mordendo o lábio. Ela não sairia. Como se sua própria vida não tivesse importância. Suspirei fundo.
— Me conte uma história — pedi em voz baixa. — Qualquer uma. Só… fale.
Ela pousou a bandeja na mesa aos pés da cama e veio sentar-se no chão, ao meu lado, como tantas vezes já fez. E então começou:
— Há muitos anos, em um reino isolado do mundo, nasceu um príncipe. As parteiras que assistiram ao seu nascimento foram mortas imediatamente, e ele foi trancado em uma torre construída apenas para ele.
“Abandonado ainda bebê, cresceu sozinho. Todos acreditavam que morreria, mas à noite, vozes eram ouvidas da torre, gritos de agonia ecoando pelas paredes.
Um dia, uma mulher, mãe de uma criança doente, não suportou mais os gritos e foi até o rei. ‘Eu cuidarei do príncipe’, disse. ‘Não pedirei nada em troca.’


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