Zephyrine
O crepúsculo caía pesado sobre a Matilha Branca quando terminei meu banho, servido por minha criada, e minha barriga se aquietou com a refeição. Vestida com uma camisola simples, permaneci junto à janela.
Foi então que o vi. Ele. Entrando na Alcateia Branca, conduzindo seu cavalo com a mesma sintonia de sempre.
E logo atrás, a carruagem de Mearez estacionou no pátio. Desta vez, ela não estava sozinha: Serena desceu ao seu lado. Juntas, caminharam para dentro da casa, enquanto Lycannar era abordado por Alfa Auedric.
Não ouvi suas palavras, mas vi quando ele assentiu, acompanhando-o para dentro.
Chantel, no entanto, permaneceu no pátio, segurando firme as rédeas do cavalo de Lycannar.
O observei longamente, em silêncio. A história sussurrada por Blue ainda ecoava em meu peito, esculpindo cicatrizes profundas.
Estava prestes a me afastar da janela quando outro cavaleiro surgiu. Nyroth.
Meu coração vacilou. Ele desmontou, lançou apenas um olhar breve para Chantel e entrou.
— Onde está Zeph? — sua voz ecoou pela sala.
— No quarto — ouvi Dessyn responder, os passos se aproximando.
A porta se abriu. Lá estava ele, parado no batente, me encarando.
— Zeph — disse suavemente, aproximando-se. — Como você está se sentindo?
Pela primeira vez, parecia… terno. Como se realmente se importasse. Baixei o olhar, franzindo levemente a testa.
— Cansada.
— Então se deite. — Ele tirou um lenço e ergueu até meu nariz, me pegando de surpresa. — Minha mãe insistiu que eu trouxesse. Não se preocupe.
Guardou o lenço, respirou fundo.
— Escute, vim dizer que irei até a Floresta do Império buscar a flor para sua cura. Mas você precisa ser forte, Zeph. Pode aguentar alguns dias?
O olhei, confusa.
— Por quê?
— Kaela… está com cólicas. Quer que eu fique ao lado dela. Agora ela é filha de um Alfa, e eu preciso apoiá-la. É importante para nossas negociações. Ficarei com ela alguns dias, depois partirei por você. Eu… vou ajudar…
A porta se abriu novamente.
E então ele entrou. O príncipe que se tornou rei. O homem marcado pela dor do pai, pela maldição da Deusa, pela torre-prisão que nunca deixou de ser sua.
Lycannar.
Apenas sua presença já trazia alívio.
— Você não deveria estar de pé — disse, firme, segurando meu braço e me guiando de volta à cama. Se ajoelhou diante de mim, sua mão pousando em meu pescoço com ternura.
Nossos olhos se encontraram. Ele franziu a testa ao ver as lágrimas que me escapavam.


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