Sandro pegou o travesseiro e o jogou em Fabiano.
— No que você está pensando aí? Viajando na maionese de novo?
Fabiano apanhou o travesseiro no ar, o acomodou no colo e encarou Sandro com uma expressão carregada. Hesitou por alguns instantes antes de falar:
— Fiquei sabendo de uma coisa.
— O quê? — Perguntou Sandro.
— É sobre o Danilo... — Fabiano baixou a voz. — Parece que ele tentou forçar a Isabela a... Você sabe... Ter relações com ele.
— O quê? — Sandro praticamente pulou da cama, o rosto transformado numa máscara de fúria incontrolável.
— Calma, cara! Foi a Viviane que me contou, nem sei se...
— Porra, Fabiano! — Cortou Sandro. — Você acha mesmo que a Viviane inventaria uma coisa dessas?
Fabiano respirou fundo, ponderando por um momento antes de acenar com a cabeça. Era verdade. Viviane e Isabela eram praticamente irmãs de alma. Jamais fabricaria uma história assim sobre a amiga.
Oito anos. Era esse o tempo que Danilo carregava aquela obsessão doentia por Isabela. Um sentimento que, aparentemente, havia se contorcido em algo obscuro e perigoso.
O peito de Sandro inflava e murchava em respirações pesadas.
— Eu sempre desconfiei daquele filho da puta! — Ele rosnou entredentes. — Ficava por perto feito um cachorrinho adestrado, bancando o amigo perfeito, mas no fundo era só um predador esperando a hora certa!
— Sandro, respira! — Fabiano tentou acalmá-lo. — De acordo com a Viviane, a Isabela conseguiu escapar. Ele não chegou a... Você sabe...
— E isso deveria me deixar menos puto?
Fabiano observou o amigo com uma mistura de preocupação e curiosidade.
— Sandro, você e a Isabela estão divorciados, lembra?
Sandro engoliu em seco, como se tivesse levado um soco no estômago. Seus olhos flamejaram.
— E daí? — Ele retrucou. — Ela foi minha mulher durante anos. Quem mexe com ela, mexe comigo! Isso nunca vai mudar!
Seus olhos, vermelhos de raiva contida, se fixaram em Fabiano.
— Não vou deixar esse desgraçado sair impune. Nunca.
— E o que exatamente você pretende fazer? — Questionou Fabiano.
— A Isabela não tomou nenhuma atitude? Conhecendo-a como conheço, duvido que tenha deixado barato.
— Pelo que a Viviane disse, ela tentou denunciar ele, mas o Danilo também se formou em Direito, não é? O cretino destruiu todas as provas. Mas, pelo menos, o universo parece estar fazendo sua parte. A família Gomes está à beira da falência. Alguém anda sabotando os negócios deles nos bastidores.
— Sem mas! — Ele cortou, o tom não admitindo contestações.
— Tudo bem. — Fabiano suspirou, se rendendo.
Enquanto Sandro planejava sua vingança, alguém já havia se adiantado.
Danilo encarava a mulher à sua frente com olhos arregalados de pavor. Ela o havia contatado horas antes, alegando saber quem estava por trás da misteriosa sabotagem ao Grupo Gomes. Ele correu para o encontro, sedento por respostas que pudessem salvar os negócios de sua família.
Mas em vez de informações, ela insistiu para que bebessem juntos primeiro. Em seu desespero, Danilo aceitou sem hesitar.
Agora, seu corpo estava pesado, a mente turva. Uma sensação artificial de desejo o invadia, mesmo contra sua vontade. Compreendeu tarde demais que havia sido drogado.
— O que... O que você está fazendo? — Ele balbuciou com a língua entorpecida.
A mulher começou a desabotoar a própria roupa metodicamente.
— Você me violentou, é claro. — Respondeu ela com uma frieza perturbadora.
O rosto de Danilo se contorceu em choque absoluto.
Que merda era essa? Era uma armadilha!

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