Pela manhã, Lucretia desceu para o café da manhã. Ela retornaria ao ShadowBlood mais tarde naquele mesmo dia.
Já na mesa, ela ouviu sons de passos e percebeu que não era apenas uma pessoa, então, levantou o rosto para ver quem estava com Jeane. Esperava ver Deidra, mas para sua surpresa, Corrado estava ali, ao lado da esposa.
O copo que Lucretia segurava na mão quase entornou em cima da mesa, tamanho foi o choque dela. O pai parecia… normal? Ele tinha o braço dobrado, com a mão da esposa pousando ali, enquanto os dois andavam, aparentemente de bons humores um para o outro — uma cena que Lucretia não via há muito tempo.
E foi isso o que a fez estreitar de leve os olhos.
Era certo que Corrado traiu a Luna para ficar com Jeane, e isso faria as pessoas imaginarem que ele era simplesmente louco pela amante, correto? Não era bem assim. Lucretia não percebeu tanto porque estava muito focada no sofrimento da mãe e no próprio, para de fato olhar o pai e a outra mulher interagindo. O que ela sempre via era Jeane pendurada em Corrado, mas talvez fosse a raiva e decepção que sentia, nem olhava para o Alfa direito.
Depois que a mãe morreu e o luto se acalmou, Lucretia começou a perceber as interações. Uma careta, uma resposta mal-humorada… um movimento brusco para acabar com o contato físico, mesmo que ele tentasse ser discreto. Os sorrisos eram dados quando outros estavam por perto, principalmente visitantes de outros bandos.
Os dois não estavam apaixonados. O sorriso de Jeane, a forma como ela falava e fazia beicinho — o que Lucretia achava horrível, pois parecia aquelas vilãs falsas que só o homem não percebia a verdadeira natureza —, mas nada disso alcançava os olhos. Jeane era, na verdade, fria. A relação deles era fria.
Então, olhar para os dois daquele jeito, depois de dias de sumiço de Corrado e de Jeane mentir sobre o paradeiro dele, a ruiva sabia que era apenas uma encenação. A questão era: por que Corrado faria isso? Por que o Alfa estava se prestando àquilo?
Ele olhou para frente e viu a filha. Sorriu.
— Ah, Lu! — ele disse e Lucretia engoliu em seco. — Não nos esperou para começar a comer?
— Oi, pai. Eu não sabia que desceriam. O senhor eu nem sabia que estava em casa.
Corrado olhou para ela como se Lucretia estivesse falando algo estranho.

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