Elijah McCormack entrou na enfermaria com passos pesados, ignorando os olhares de desconfiança da equipe médica do ShadowBlood. Ele não deveria estar ali, mas o grito de Macy havia ecoado em sua mente como se fosse um chamado de sangue. Ao cruzar a porta, seus olhos azuis-gelo encontraram os de Lucretia, que o observava com um sorriso enigmático, quase encorajador.
— Deixem-no passar — Lucretia ordenou, percebendo a hesitação dos médicos. — O Alfa McCormack tem um interesse particular na saúde dos nossos convidados.
As palavras deram eram certeiras, faladas de maneira a deixar a dúvida no ar sobre o relacionamento daqueles dois.
A criança não era metade lobo, o cheiro dizia tudo, porém, logo um Alfa envolveria-se com uma humana, grávida de outra, se não fosse amor ou a força de um vínculo especial?
Rhys, ao lado dela, estreitou os olhos. Ele sentia a eletricidade emanando de Elijah, mas não era direcionada a Lucretia. O alvo era a fêmea humana na cama.
Macy estava pálida, as mãos agarradas aos lençóis, enquanto o monitor cardíaco apitava em um ritmo acelerado. Harold estava de pé ao lado dela, parecendo impotente. Quando Elijah se aproximou, ele recuou instintivamente, mas o Alfa nem sequer notou o idoso.
— O que você sente? — Elijah perguntou, a voz rouca e surpreendentemente suave.
Macy ouviu a voz daquele homem e abriu um pouco os olhos, confusa. O que ele fazia ali?
Elijah percebeu como ela ficou tensa com a chegada dele e, em seguida, fechou os olhos, quando mais uma pontada de dor a atingiu.
— Parece que meu bebê quer sair. Não está na hora!
A mente dele estava uma bagunça. O que era aquilo? E aquele filhote não era dele, então, porque se aquietou daquele jeito? E por que ele quis tocar na criança, acalentá-la?
“Minha companheira é a Lucretia. Ela é o meu vínculo!”, no entanto, aquelas palavras pareciam uma mentira que a pessoa conta diversas vezes, para que ela mesma possa acreditar. “Sentimos o poder do chamado! O cheiro… Tudo!”
— Vamos deixar a senhorita Macy descansar — Lucretia falou e Harold foi o único que permaneceu. Quando ela e Rhys já estavam um pouco mais distantes, ela o puxou a um canto. — Você viu?
Ele sabia ao que ela se referia. Rhys, agora, já tinha feito a barba, tomado banho, cortado o cabelo e parecia mais com o Alfa de antes do que um andarilho.
— Mas ele é o seu predestinado. Não deveria significar que você é o mundo dele? — Rhys falou e sentiu o coração doer. Era difícil falar sobre aquilo. — Isso não é traição?

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