Deidra estava parada a poucos metros de distância, a luz pálida das arandelas do corredor acentuando as olheiras profundas em seu rosto. Ela observava a cena com um misto de confusão e desdém. Ver o marido, um Alfa, segurando um jovem humano contra a parede no meio da noite não era exatamente a imagem de dignidade que ela esperava dele.
Já que não estavam sozinhos, ela resolveu provocar.
— Então é assim que você passa as suas noites agora, Kolby? — Deidra perguntou, soltando uma risada anasalada e amarga. — Se escondendo em passagens de serviço com rapazes? Se eu não soubesse que você é obcecado pela minha irmã, diria que seus gostos mudaram drasticamente.
O efeito das palavras foi imediato. Kolby soltou o colarinho de Darick com tanta violência que o rapaz precisou se apoiar na parede para não cair. O Alfa virou-se para a esposa, o rosto transfigurado pela fúria. Ele deu um passo em direção a ela e levantou a mão direita, o punho cerrado e os tendões do braço saltados, como se estivesse a um milésimo de segundo de atingi-la para calar aquela língua venenosa.
Deidra nem sequer piscou. Ela sustentou o olhar, embora sua respiração tivesse parado por um instante. Kolby manteve a mão suspensa no ar por longos e agonizantes segundos, mas não desferiu o golpe. Em vez disso, ele inclinou o corpo para frente, seus olhos brilhando com um dourado perigoso, uma promessa de dor que não precisava de toque físico para ser compreendida.
— Meça suas palavras, Deidra — Kolby sibilou, a voz saindo como um trovão abafado. — Você não tem ideia do que está acontecendo aqui. Volte para o quarto e finja que é a Luna submissa que sua mãe tanto se orgulha de ter moldado.
Deidra engoliu em seco, mas não recuou. Ela olhou para Darick, que tentava recuperar o fôlego, e depois de volta para o marido.
— Minha mãe não sabe que eu saí do nosso quarto. Por que ela saberia? E ela não ficaria nada feliz em saber que o genro dela está tendo conversas secretas com os protegidos da Lucretia.
Darick, percebendo que a briga entre o casal era sua única chance de escapar sem ser entregue a Jeane, resolveu agir.
— Eu só estava de passagem! — ele exclamou, tentando passar por baixo do braço de Kolby. Este o barrou com um olhar gélido, mas sua atenção ainda estava em Deidra.
— Ela era a minha noiva, e se não fosse por você e a sua mãe, a minha Luna seria ela! Ela, que é mil vezes melhor do que você! — Kolby quase cuspiu as palavras. — Volte para o quarto!
Deidra não parecia interessada em seguir ordens.
— O que faz por aqui? E o que esse garoto faz por aqui? Que eu saiba, ele não está hospedado por essas bandas. Ou por acaso foi colocado perto da família?
Não, Darick e os outros foram levados para onde hóspedes são levados, aqueles que não fazem parte nem da família e nem ocupam alto ranking, como os Alfas.
— Isso não é da sua conta. Agora, cai fora! — Kolby sibilou. — Última chance, Deidra. Se acha que não vou acabar com você por que estamos aqui, pode esquecer. Voltaremos para o nosso bando em breve.

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