A noite pareceu ser mais curta, porque Rhys e Lucretia passaram a noite acordados. Ora transando, ora descansando. Ela não falava muito, mas Rhys a acariciava e a deixava com mais vontade.
Quando o dia começou a raiar, Rhys finalmente deixou Lucretia dormir. Ela se aninhou no peito dele.
[“O que vamos fazer daqui pra frente? Vai aceitar o acordo para casar com ela?”]
Rhys suspirou.
[“Não sei.”]
[“Ela não vai ficar parada. Ela tem muita força de vontade. Se não formos nós, ela vai acabar oferecendo aliança a outro macho.”]
Os dedos de Rhys se enrolaram e apertaram as unhas contra a palma da mão dele. Ele soltou um rosnado baixo, para não acordar Lucretia.
[“Eu quero ver quem vai se atrever! Lucretia está no nosso território, ela não vai sair!”]
[“Ela não vai desistir. Sabe disso tanto quanto eu!”]
Sim, Rhys sabia. Lucretia não era obediente, ela não era facilmente domada. Mas ele não queria domá-la, queria apenas… o que ele queria, afinal?
Olhando para baixo, para a fêmea nos braços dele, que respirava tranquilamente, Rhys sentiu o coração batendo mais rápido.
[“Eu vou pensar sobre isso.”] Foi a resposta dele.
Quando Lucretia acordou, ela estava sozinha na cama. Não havia qualquer sinal de Rhys. A porta do quarto foi aberta bem nesse momento e ela viu uma ômega entrando com uma bandeja de comida. Pela expressão da fêmea, ela não estava nem um pouco contente com a tarefa.
— A vagabunda conseguiu dormir com o Alfa! — ela exclamou e havia mais do que apenas desprezo por Lucretia. Ela estava com inveja.
— Se está insatisfeita, deveria falar com o seu Alfa, não comigo. — Lucretia retrucou, displicentemente.
Ela colocou a bandeja de comida com mais força do que deveria em cima da mesinha de cabeceira, fazendo com que o suco derramasse em parte em cima dos sanduíches.
— Escuta aqui, sua putinha! Você não passa de uma escrava, de uma ninguém! Você vale menos do que qualquer um de nós, aqui!!
Depois, ela não sabia se poderia tentar usar a conexão mental dela, mesmo distante, para chamar sua amiga. O sangue Alfa de Lucretia a permitia ter esse tipo de interação com quem fosse mais próximo emocionalmente dela. O problema era se Rhys conseguiria sentir. Ele a havia proibido, no fim das contas, e ela ali estava à mercê dele.
Pela hora do almoço, a porta se abriu de novo e, dessa vez, era Rhys.
— Oi! — ela falou, animada, não só por colocar os olhos nele, mas porque finalmente poderia ter esperanças de sair daquele quarto.
Rhys olhou para ela e levantou as sobrancelhas.
— O que ainda faz aqui? — ele perguntou, indo até o closet.
— Eu não tenho roupas. — Lucretia respondeu.
Rhys saiu do closet segurando uma pasta e olhou para Lucretia, de cima a baixo. Ele colocou a pasta em cima da escrivaninha e se aproximou da fêmea.
— Ainda não está satisfeita com a noite que passamos juntos?

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