Ele moveu a mão, o dedo indicador esticado e apontado para baixo, para um espaço perto dele.
— Venha aqui. — Rhys ordenou. Lucretia tinha a cabeça abaixada, mas os olhos o encaravam. — Vai me desafiar, escrava?
Lucretia inspirou fundo e Rhys sorriu ao ver como ela ficava abalada com aquilo. Sim, ele iria levar em consideração o que Jamil havia dito a ele, mas isso não significava que ele facilitaria as coisas para ela.
— Pegue a coleira.
Ela o fez e entregou o objeto a Rhys, que sorriu maliciosamente e atracou o acessório ao redor do pescoço de Lucretia. Ela levantou os olhos e algo dentro de Rhys ficou mexido. Ele afastou aquela sensação estranha.
— Veja só, cai bem em você. — Ele tocou em uma mecha dos cabelos ruivos dela, e quando Lucretia ia bater na mão dele, instintivamente, ele segurou o cabelo e puxou com força. Ela se ajoelhou forçadamente e choramingou baixo, mas logo recuperou a expressão desafiadora.
— Experimente tocar em mim novamente, sem a minha permissão, e vai acabar sem a mão, Lucretia!
A ameaça não era vazia, ela sabia disso.
— Isso não deveria valer para você também? Se sou uma escrava, e lhe pareço nojenta, por que colocou a mão em mim?
Ele puxou novamente o cabelo dela, o que a fez rosnar em resposta. Rhys enrolou os fios na mão dele e o rosto dos dois estavam a meros centímetros de distância.
[“O cheiro dela é tão bom!”], Embry disse, completamente interessado. [“E olha só esses lábios… tão carnudos e bem desenhados. Acho que se encaixariam perfeitamente em nós!”]
Rhys não resistiu e seu olhar desceu para a boca de Lucretia. Ela estava fazendo um leve biquinho. Ele passou a língua pelos lábios dele.
— Eu faço o que eu quiser com você, porque você pertence a mim. E não tenho que dar nenhuma porra de explicação!
Ele a soltou, a afastando de uma vez. Lucretia caiu com o bumbum no chão e o olhar dela irradiava raiva.
“Desgraçado!”, ela pensou.
Lucretia o odiava! Ele era desprezível! Mas, ainda assim, ela tentaria ficar no time dele. Ele era o Alfa mais forte, portanto, se ela queria se vingar de Kolby e Dreida, além de salvar seu próprio Clã, ela precisaria de aliados.
Só de pensar que aqueles dois tinham conseguido o que queriam…
Dreida sorriu e inclinou a cabeça lentamente para baixo, numa reverência e, de propósito, ajustou a alça do vestido para baixo, deixando o decote escapar mais. Assim, quando ergueu os olhos novamente, a pele clara e branca de seu peito estava à mostra, sendo impossível de não ser notada. Ela queria que Rhys olhasse para ela, que sentisse aquele desejo que ela sabia causar em machos, especialmente em Alfas tão poderosos quanto ele.
— Alfa Jarsdel, obrigada por me receber! — ela levou a mão ao peito a fim de chamar ainda mais atenção para aquela área. Ela tinha seios de tamanho aceitável, redondos e, segundo Kolby, apetitosos. — O que mais desejo nesse momento é poder restaurar a paz entre os nossos clãs. Além disso…
Ela olhou ao redor com uma expressão de dar pena. Daquele jeito, alguns machos já estavam mais propensos a ficar do lado dela. No entanto Rhys não era qualquer um.
— Eu estou tão preocupada com a minha querida irmã. Ela… ela sumiu depois de ser vista correndo na direção das suas terras. Por mais que ela tenha errado conosco, com o Alfa Kolby… ela ainda é a minha irmã.
Rhys percebia como os olhos de Dreida passeavam pelo salão, como ela queria parecer pura, mas no fim, seus olhos eram como os de uma águia, procurando pela presa perfeita.
Ele também notou o tom manipulador da garota. Rhys não se deixou enganar pelas palavras de Dreida. Qual noivo seria traído e, menos de quarenta e oito horas depois, anunciava o casamento com a fêmea que seria a cunhada dele? E ela, como irmã, como podia aceitar? Por um breve segundo, ele sentiu pena de Lucretia. Mas passou bem rápido.
Como se soubesse que ele pensava nela, as unhas de Lucretia se cravaram nas pernas dele, arrancando-lhe um rosnado baixo.
— Alfa Rhys Jarsdel? — Dreida perguntou, olhando-o com interesse.

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