— Um carro novo?
O coração de Laís deu um salto, e ela quase prendeu a respiração de tanta surpresa.
O seu SMART "Duende", que a acompanhara por sete anos, fora comprado com o primeiro salário após a formatura e agora já demonstrava um certo desgaste.
Na última vez, quando Jorge o dirigira e o motor morrera no meio do caminho, a humilhação do momento ainda estava fresca em sua mente. O rosto ruborizado de vergonha, ela apenas murmurara algo como "vou trocar de carro logo".
Será... será que o Jorge levou aquilo a sério? E ainda contou ao irmão dela?
Esse pensamento fez uma onda de calor aquecer o coração de Laís. Extasiada, ela agarrou o braço de Lídia:
— Mãe, vamos lá ver!
Mãe e filha desceram, e ao longe, um Maserati GranTurismo branco novinho em folha chamou a atenção, estacionado em silêncio na beira da estrada, como uma obra de arte elegante.
Esse era o carro dos sonhos de Laís.
Ela sempre acompanhou as atualizações de seus modelos, planejando comprá-lo em segredo como presente para si mesma ao completar trinta anos.
Jamais imaginou que a surpresa lhe chegaria tão de repente.
— Astor, como você sabia que eu adoro esse modelo? Foi você quem escolheu, ou foi o meu irmão?
Laís praticamente voou até a porta do veículo, ansiosa para abri-la.
Ao ver que os estofados eram exatamente no tom de laranja que ela adorava, o brilho em seus olhos intensificou-se, e ela não pôde evitar a pergunta.
Astor sorriu de forma sutil e explicou:
— Nem um nem outro. Foi uma sugestão do jovem mestre Andrade ao seu irmão. Ele disse que o estilo deste veículo combina perfeitamente com a senhora e que certamente iria adorar. Aliás, esta é a edição limitada de 30º aniversário, existe apenas uma unidade desta no mundo inteiro, o seu irmão conseguiu comprá-la graças aos contatos do jovem mestre Andrade.
Laís parou estupefata.
O jovem mestre Andrade... não seria o Jorge?
Então, ele e o irmão estavam planejando aquilo há muito tempo nos bastidores.
Porém, naqueles últimos dias em que trabalharam lado a lado discutindo os projetos, ele não dissera uma só palavra, mantendo a boca fechada como um cofre.
Como aquele homem conseguia guardar um segredo tão bem?
Enquanto Laís suspirava mentalmente, a vasta alegria de ganhar o carro varreu todas as suas dúvidas.
Ele trajava uma camisa preta com os dois primeiros botões desabotoados, destacando a clavícula delineada e um maxilar afiado como a lâmina de uma faca.
A respiração de Laís falhou, na sua memória, ele era um garoto que gostava de bagunçar seu cabelo e que ria mostrando os dentes caninos. Agora, porém, irradiava uma aura perigosa como uma espada desembanhada, inibindo qualquer aproximação alheia.
Lídia sorriu para a tela e o "repreendeu" afetuosamente:
— Moleque, você mandou um carro novo para a sua irmã, mas e a sua velha mãe? Vai tratá-la com desprezo?
Do outro lado da linha, ouviu-se o riso carinhoso de um homem:
— Qual carro a senhora quer, mãe? Eu lhe compro como presente de aniversário.
Lídia sorriu, as rugas no canto dos olhos exibindo pura ternura:
— Eu não quero carro algum, eu só quero lhe ver. Quando você vem para casa? Mamãe sente sua falta, Meu Tesouro...
O tom de sua voz era radiante, mas as duas últimas palavras saíram embargadas, desfazendo sutilmente a leveza do momento.
Na tela, a imagem atraente do filho desapareceu momentaneamente.

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