Os olhos de Laís marejaram:
— Mãe, mas cuidar do bebê à noite cansa muito. Embora a Dona Zélia esteja aqui, sempre que Aline chora, a gente acaba acordando. Deixar que a Dona Zélia cuide dela sozinha durante a noite não me deixa tranquila, é melhor que eu mesma faça isso.
Lídia balançou a cabeça:
— Deixe disso, eu tenho mais experiência do que você para criar filhos. Você e o seu irmão cresceram nos meus braços. Vá correr atrás da carreira que você ama com total dedicação. Se vai fazer algo, faça para obter grandes resultados.
Laís sentiu sua autoconfiança multiplicar. Um problema imenso que estava encravado em seu coração havia acabado de ser solucionado.
Como esperado, os pais sempre são a grande força e o porto seguro final de seus filhos.
Embalada por uma profunda gratidão, ela assentiu e se atirou nos braços da mãe:
— Mãe, em todos esses anos, nunca estivemos em tanta harmonia.
Lídia tensionou-se ligeiramente. Não estava acostumada a abraçar a filha já crescida, mas sua mão repousou inconscientemente nas costas de Laís. Com lágrimas nos olhos, ela respondeu:
— Perdoe a sua mãe. Passei esses anos todos correndo feito louca e, muitas vezes, deixei você de lado, exigindo que você fosse independente em tudo. Havia tantos problemas, eu tinha pavio curto, qualquer contratempo me irritava, e eu acabava descontando em você... Mas agora, tudo se ajeitou. Quando o seu irmão voltar ao país, poderemos dizer que finalmente veremos o sol brilhar após a tempestade.
Laís assentiu, com a voz embargada:
— Sim, tudo vai melhorar. Falando nisso, o Jorge me contou sobre um torneio mundial de arquitetura... o quinto Prêmio Pilar Eterno, que equivale ao prêmio Nobel da arquitetura.
— O tema deste ano acabou de ser divulgado, e o título também reflete exatamente o momento que estou vivendo: Renascimento sobre as Ruínas. Por coincidência, tenho uma série de esboços que combinam muito com isso. O Jorge disse que, se eu quiser participar, ele vai me ajudar a refinar os desenhos e podemos arriscar, ele acha que tenho grandes chances.
Lídia franziu a testa ligeiramente:
— Jorge? É daquele gênio da arquitetura que você está falando?
— Sim, é ele.
O olhar de Lídia tornou-se nostálgico:
— Esse garoto da família Andrade... antes da nossa família passar por dificuldades, ele vivia lá em casa.


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