Era como se um longo cabo de guerra finalmente tivesse chegado ao fim, ambos os lados estavam exaustos, e o outro de repente soltou a corda.
Naquele momento, a sensação de Laís não foi a alegria da libertação, mas uma perda repentina de gravidade.
Como se seu coração estivesse suspenso por muito tempo e, de repente, caísse com um estrondo no chão, abrindo um vácuo imenso e indescritível dentro dela.
Após um longo silêncio, ela digitou uma única palavra:
— Ok.
Na sala de estar do Condomínio Vista Magnífica, Felipe estava sentado sozinho.
A garrafa de vinho à sua frente estava vazia, e restava apenas metade no copo.
A janela estava escancarada, o vento gélido do meio do outono entrava e congelava seu corpo, mas não conseguia dissipar o caos em sua mente.
Ele escreveu e apagou no teclado do celular inúmeras vezes, a ponta dos dedos já estava branca de tanta força. Finalmente, enviou aquelas duas frases.
Ele imaginou que Laís poderia ficar aliviada, ou que pudesse ter uma crise histérica e o xingasse.
O que ele não previu foi receber um simples "Ok", sem a menor variação emocional.
Então era isso. Quando o amor chega ao fim, a frizeza torna-se absoluta.
Até as brigas pareciam desnecessárias, restando apenas um silêncio mortal.
Felipe fixou o olhar naquela palavra até seus olhos doerem, sentindo que havia algo ameaçando despencar a qualquer momento.
Ele continuou paralisado no sofá, em silêncio como uma estátua desgastada pela erosão, exalando um ar asfixiante de fracasso e ruína.
O vento jogou o acordo de divórcio no chão, e o barulho do papel raspando no piso ecoou estridente na sala vazia.
Os termos frios daquele documento pareciam zombar de tudo que viveram naqueles cinco anos, como se nada daquilo tivesse importância.
Os olhos de Felipe arderam e ele finalmente se abaixou para apanhá-lo.
Na verdade, ele nem prestou atenção ao conteúdo, apenas leu as primeiras linhas referentes à partilha de bens, mas sentiu um baque no peito, tomado por uma sensação de asfixia.
Mecanicamente, assinou seu nome no espaço indicado.
Após assinar, ele guardou o acordo na pasta e empilhou junto a outros documentos sigilosos trazidos por César Matos.
Naquele instante, ele sentiu como se tivesse selado sua própria alma dentro do envelope.
Ele se levantou e arrastou o corpo pesado, como um zumbi, para o quarto.
Acendeu um Incenso de Âmbar Cinza. Antigamente, era seu cheiro favorito, mas agora o aroma lhe parecia amargo.
Ele se forçou a dormir, tentando usar o sono para fugir daquela lucidez infinita.
— Pergunte a ela, qualquer horário serve, estarei à disposição.
Guilherme suspirou, aliviado, por Laís, mas, seguindo a ética da sua profissão, tentou aconselhá-lo com sinceridade:
— Muito bem, é bom saber que você aceitou. Se isso chegasse aos tribunais, com a sua situação financeira atual, os danos seriam bem piores. E a criança tem menos de dois anos, portanto, via de regra, a guarda é concedida à mãe. Os pedidos de Laís foram bem justos, você não sairá perdendo nesse divórcio.
Um sorriso amargo escapou pelos lábios de Felipe:
— Eu nunca me importei em sair perdendo, mas sim... ah, deixa pra lá, não faz diferença.
Guilherme não aprofundou:
— Sim, é o melhor para ambos, separar sem drama. Acabei de falar com a Laís, ela marcou amanhã à tarde, às quatorze horas, no Cartório de Registro Civil.
— Está bem.
Tudo estava prestes a se acomodar em seu lugar.
Felipe tentou manter a pose, mas assim que desligou a chamada, seu peito subiu e desceu descontroladamente, os músculos de seu corpo estavam rígidos.
Um homem de peito aberto que nunca vacilou ao longo da vida, que sangrava mas não chorava, agora o choro veio e a visão ficou borrada.
Nunca na vida tivera uma derrota tão trágica, nos escombros desse romance, ele fora pulverizado e esmagado sem sequer ter a chance de lutar de volta.

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