Por sua Aline, ela deixaria tudo, absolutamente tudo de lado.
Não importava que deixasse de ser bonita, que não estivesse elegante ou se sentisse um trapo, não importavam os sacrifícios, a dor e o cansaço... nada disso importava, desde que sua bebê crescesse forte e saudável.
Aline já ligava a bomba de tirar leite de forma perita, até entorpecida.
A dor da congestão mamária era excruciante no começo, mas ela se acostumou com o tempo.
Ela agora era uma mãe, ela tinha a sua própria bebezinha... o rosto de Laís relaxou automaticamente e um brilho suave invadiu seu olhar enquanto imaginava as adoráveis feições de sua filha.
Felipe ninou Aline até ela adormecer e abriu a porta do quarto em silêncio.
Na penumbra da luz fraca, a mulher usava um roupão rosa pálido, os cabelos curtos de antes haviam crescido e as mechas escondiam levemente os cantos dos seus olhos.
Com a bênção do brilho materno, seus traços incisivos e afiados agora pareciam pacíficos e suaves, envoltos numa névoa diáfana, suas velhas arestas afiadas sumiram, e algo de fascinante, que ele jamais testemunhara, estava gravado nas suas feições.
Ela fitava o chão em reflexão, o olhar fixo e gentil irradiando um nível de conforto e tranquilidade que transpareciam em sua alma.
Naquele momento, algo tocou sutilmente a alma de Felipe e um sobressalto de calor percorreu todo o seu ser.
— Já acabou? Precisa de ajuda?
Felipe deu um passo à frente de Laís, a sua voz sedutora esbanjando suavidade.
Laís pulou para fora de seus devaneios assustada, agarrou as roupas por instinto para cobrir o seio à mostra e falou confusa:
— Por... por que você entrou sem bater?
Felipe sorriu maravilhado, ajoelhando-se ao lado dela:
— Laís, não há um pedacinho de você que eu não conheça. Por que essa vergonha toda do seu marido?
Felipe sentou-se ao lado de Laís e puxou um estojo de vidro alongado:
— Pedi a algumas pessoas que encontrassem esta raiz selvagem de Ginseng Vermelho Centenário, deve servir muito bem para repor a sua energia. É algo que não se consegue nem com muito dinheiro, precisei de muito esforço para botar as mãos nisso.
Sob a iluminação débil, Laís abaixou os olhos e reparou na estonteante e grande raiz de Ginseng Vermelho, bem guardada sobre a seda amarela, dentro do luxuoso estojo de vidro.
De relance, tinha a aparência de uma pessoa e uma aura dominante, claramente era da mais alta qualidade.
O médico alertou que a energia de Laís estava em níveis extremamente baixos e que a fraqueza poderia fazê-la desmaiar frequentemente. A receita recomendava a compra de ginseng vermelho para repor o sangue e a força do corpo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís