Felipe chegou correndo diante de Sofia.
Ao ver a ponta do nariz dela vermelha, os olhos cheios de lágrimas e o corpo tremendo, num reflexo ele tirou o próprio paletó e colocou sobre os ombros dela.
Sofia aproveitou para se aninhar em seus braços. O instinto de Felipe foi recuar, mas ela se agarrou a ele com desespero.
Ela tremia violentamente, como um gato de rua prestes a congelar.
Com o coração amolecido, Felipe acabou desistindo de afastá-la.
— Felipe... — Ela afundou o rosto no peito dele, a voz abafada. — Obrigada por vir ficar comigo. Só você me trata tão bem.
— O que aconteceu? Quer dizer que até mesmo o Jorge... desconfia de nós? — suspirou Felipe.
Com o rosto banhado em lágrimas, Sofia respondeu:
— Sim. Ele leu aquela postagem e perguntou se eu tinha mentido para ele no passado. Disse que a pessoa por quem eu era apaixonada não era ele, mas você.
— Ele me mandou falar a verdade e disse que se o nosso casamento começou com uma mentira, então não havia motivo para continuarmos juntos, mesmo sendo um casamento por conveniência...
O tom choroso de Sofia apertou o coração de Felipe.
— Eu mesmo vou explicar tudo para o Jorge. As coisas não são como ele está pensando.
As lágrimas de Sofia caíam sem parar:
— Felipe, e se o Jorge quiser se divorciar de mim? Eu... eu acabei de ter o Caio. Não quero que meu filho cresça num lar desfeito.
— Por que o mundo inteiro tem que entender errado a nossa relação? Nós somos apenas como irmãos muito apegados! Por que a Laís tem que nos difamar assim? Ah...
A voz de Sofia exalava desespero. Ela chorava a ponto de perder o fôlego, o corpo cambaleando como se fosse desmaiar a qualquer segundo.
Felipe se viu forçado a segurá-la pelos ombros, usando o próprio corpo como apoio para que ela não caísse. Ele fez o possível para consolá-la:
— Quem não deve não teme. Pare de chorar, eu estou aqui. Venha, entre no carro. Eu mesmo vou te levar de volta para a família Andrade. Não pense em mais nada, deixe que eu resolvo isso.
— Mas na situação atual, nós precisamos evitar mal-entendidos para não arruinar os nossos casamentos. A volta do Jorge foi oportuna. Por que você não pega o Caio e volta para o País A com ele?
— Eu acho que essa seria a melhor alternativa para as duas famílias. E seria a forma ideal de proteger a sua reputação.
O sangue nas veias de Sofia gelou no mesmo instante, e ela balançou a cabeça sem parar:
— Felipe, não! Eu não vou para o País A com o Caio!
— Eu acabei de ser mãe, não sei como cuidar de um bebê. Mesmo que eu tenha babás, ficar presa em uma casa daquele tamanho sozinha é como estar na prisão.
— O Jorge é muito ocupado. Se voltar para o País A, ele vai se enfiar naquele projeto confidencial dele de novo. A cabeça dele só pensa em trabalho. Como ele vai me dar o carinho e a atenção que você me dá?
Chorando compulsivamente, Sofia continuou a implorar:
— Você também sabe por que eu me casei com o Jorge! Foi tudo por sua causa... Você brigou comigo e me mandou embora, então eu fui confessar meus sentimentos para ele no calor da raiva. Eu nunca achei que ele fosse aceitar o casamento... Nós dois nunca tivemos uma base de sentimentos, você sabe disso!
A emoção de Sofia passou dos limites. Ela levou as mãos ao peito, enquanto o rosto delicado ficava pálido num espasmo de dor.

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