Percebendo que havia algo de errado, Felipe a segurou pelos ombros em desespero:
— Sofia, o que foi? Eu já te disse, você passou por uma cirurgia cardíaca na infância, não pode se estressar tanto assim... Rápido, respira fundo!
Ela puxou o ar com dificuldade e o corpo dela amoleceu, caindo fraco nos braços de Felipe.
O coração dele disparou. Ele sabia que aquilo era inapropriado e, por instinto, quis afastá-la. Mas ao ver a expressão de dor no rosto dela, não teve coragem de recuar.
Sofia agarrou-se firmemente à cintura dele, tremendo de frio e medo:
— Felipe, eu não quero me separar de você de novo. Nesses cinco anos no exterior, você não tem ideia da vida que eu levei.
— Agora eu percebo que você é a única pessoa no mundo que me trata tão bem. Se não fosse você, eu não sei como teria aguentado toda essa fase de gravidez e do parto.
Felipe ficou com o coração apertado, sem saber o que dizer.
Ele ainda se lembrava de quando sua tia adotou Sofia do orfanato. Ela era tão pequena e frágil.
A história dela era muito triste. Por causa de um problema congênito no coração, fora abandonada pelos pais ao nascer e acolhida por um orfanato.
Sua tia, Viviane Lacerda, havia esbarrado com ela em uma de suas ações de caridade. Sentindo pena da menina que estava entre a vida e a morte, levou-a para casa e providenciou a cirurgia.
Porém, depois que Sofia se recuperou, a relação da tia com o marido foi de mal a pior. Havia brigas frequentes, guerra fria e, às vezes, até agressões físicas. Vendo o ambiente deplorável em que a menina vivia, Felipe sugeriu à Patrícia que Sofia passasse a ser criada na família Vasconcelos.
Quando Sofia chegou, era minúscula. O rosto dela não era maior que a palma da mão dele.
Foi Felipe quem lhe deu comida com paciência e cuidou dela para que ganhasse peso.
Depois, foi ele quem a ensinou a contar e a ler, apresentou novos amigos e a cuidou até que aquela garotinha frágil desabrochasse na jovem estonteante que era agora.
Ele a via genuinamente como uma irmã e havia jurado protegê-la para sempre.
Mas ele podia jurar por tudo que jamais tivera qualquer intenção romântica com ela.
— Eu cuidei do Caio dia e noite no último mês porque foi uma emergência. Mas, na verdade, isso é papel do Jorge.
— Eu só posso cuidar do Caio por um tempo, não posso fazer o que eu fiz naquele mês o tempo todo. Sofia, o pai dele é o Jorge.
O tom firme de Felipe fez o corpo dela endurecer.
Ela se recusava a ouvir. Se recusava a aceitar aquilo:
— O Jorge nunca tem tempo para o Caio, ele é um péssimo pai. Felipe, eu te imploro, não abandone a mim e ao Caio numa hora dessas.
— O projeto do Jorge ainda dura mais um ano. Fique me ajudando só por mais um ano, até o Caio fazer o primeiro aniversário. Está bem? Até lá, eu já terei me acostumado a ser mãe.
— Felipe, essa é a fase mais difícil da minha vida. Se você não me ajudar, quem mais vai estar do meu lado? Você sabe como a minha mãe é, ela vive viajando pelo mundo atrás das obras de caridade dela e não liga para mim. Quanto ao meu pai... eu sou apenas a filha no papel, ele nunca se importou comigo de verdade!
Enquanto falava, Sofia não aguentou e voltou a soluçar com força.

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