As duas compararam vários modelos diante do balcão; quando a peça era muito pesada, Laís temia colocar pressão financeira sobre Carla e não a deixava comprar, e quando era muito leve, Carla achava que não demonstrava consideração o suficiente.
Enquanto debatiam, de repente a voz de Catarina Vasconcelos pôde ser ouvida.
Laís achou aquela voz muito familiar e rapidamente virou a cabeça para dar uma olhada.
Seus olhares se encontraram e, nos olhos de ambas, brilhou uma surpresa idêntica.
A perplexidade de Catarina estava impregnada de uma grata surpresa:
— Laís, você... você também está nesta loja.
Pega desprevenida, Laís paralisou por dois segundos e abriu um leve sorriso:
— Sim, é, você também veio fazer umas compras.
Catarina normalmente não falava muito, e seu contato com Laís no passado também fora ínfimo; os únicos encontros haviam ocorrido nas reuniões familiares dos Vasconcelos.
Laís tinha muito poucas lembranças dela; a única coisa de que se recordava era de uma festa em que fora importunada por Melissa Vasconcelos, que a fez ir colher flores no jardim de propósito sob uma chuva torrencial.
Naquela ocasião, no momento em que ia correr para a chuva, fora Catarina quem trouxera de repente um grande guarda-chuva preto e a acompanhou até o jardim.
Esse incidente acontecera há muito tempo, tanto que as memórias de Laís já estavam um pouco vagas.
Mas aquele pequeno vestígio de bondade que ela experimentara fazia com que a atitude de Laís em relação a Catarina não fosse tão repulsiva quanto em relação às outras duas irmãs.
E, além disso, ela ficara sabendo pelo irmão que o marido de Catarina, Walter Barros, era na verdade um subordinado dele e que a empresa que ele comandava tinha, na realidade, o irmão dela como acionista controlador nos bastidores.
Catarina deu um sorriso constrangido, aparentemente sem saber como continuar a conversa.
Ela se virou para a atendente e apontou para uma delicada chave de ouro no balcão, dizendo:
— Olá, poderia pegar este modelo de chave de ouro para mim, por favor?
A atendente comentou surpresa:
— Senhora, tem certeza de que deseja comprar esta? Ela parece pequena, mas pesa 100 gramas no total.
Laís jamais imaginara que Catarina, que aparentava ser calada e retraída, fosse tão generosa com um presente.
— Não é necessário, é melhor que você leve de volta, Aline tem de tudo.
Laís recusou por puro instinto; ela não desejava mais receber a menor demonstração de boa vontade de ninguém da família Vasconcelos.
Mas, inesperadamente, Catarina empurrou o presente com força contra o peito dela, ficando de repente agitada, com os olhos rasos d'água:
— Laís, você tem que aceitar!
— Como a filha menos amada da família Vasconcelos, eu entendo melhor do que ninguém a sua dor ao ver sua filha sendo deixada de lado e ignorada!
— Eu... minhas habilidades são limitadas, mas eu gostaria que Aline soubesse que nem todos os Vasconcelos são monstros!
— Pelo menos eu, como tia do meio, tenho um carinho sincero por ela no fundo do meu coração e espero que ela cresça com saúde e alegria!
Catarina estava tão alterada que seu rosto inteiro ficou vermelho; suas mãos agarraram as de Laís com tanta força que fizeram as emoções da outra mulher, que há muito tempo eram como um poço de águas mortas, agitarem-se num instante.

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