O lugar mais sensível no fundo do coração de Laís sofreu um baque tremendo.
Ela baixou o olhar, que pousou na pesada caixa de presentes que Catarina estava tentando enfiar-lhe, sentindo-se dominada por um turbilhão de emoções.
Desde o nascimento de Aline até aquele momento, essa era a segunda vez que alguém da família Vasconcelos demonstrava alguma benevolência para com a menina.
A primeira fora quando Fabiana Vasconcelos batera em sua porta dizendo ter comprado coisas para Aline, além de um seguro de vida.
A segunda era justamente naquele instante.
Em comparação à arrogância em tom de esmola de Fabiana na ocasião anterior, Catarina demonstrava ser muito mais simples e também mais verdadeira.
Laís podia perceber que ela realmente queria dar algo de presente para Aline.
Laís não recusou, aceitando a caixa de presentes com as duas mãos.
— Tudo bem, vou aceitar em nome da Aline e agradecer a você, a tia do meio, por ela.
A frieza e a postura defensiva usuais, com as quais encarava os membros da família Vasconcelos, desvaneceram do olhar de Laís, dando espaço a uma ligeira ternura maternal.
Catarina soltou um suspiro de alívio e esboçou no rosto um sorriso que era mais doloroso que um choro:
— Que bom... e, quando tiver um tempo, posso ir ver a Aline?
— Eu... eu adoro crianças, mas, mesmo depois de tanto tempo casada, tem sido muito difícil para mim manter uma gravidez.
Ao terminar a frase, os olhos de Catarina ficaram inevitavelmente vermelhos mais uma vez.
Embora não tivesse muito contato com ela no passado, Laís sabia vagamente de algumas coisas a seu respeito, e estava ciente da dificuldade que o casamento atual lhe impunha.
Dando tapinhas na mão de Catarina, como forma de consolação, disse:
— Conheço um famoso médico de medicina tradicional, vou te passar o contato dele. Você pode aproveitar que está no país agora e fazer um tratamento para cuidar da sua saúde.
Laís puxou o celular, procurou o número e deixou que Catarina o anotasse.
Catarina agiu como se houvesse ganhado um tesouro, imensamente grata.
De repente, respirou fundo, como se houvesse tomado uma decisão muito séria e drástica, arrastou Laís para o lado e sussurrou ao pé do ouvido dela:
— Laís, andei pensando em uma coisa, acho melhor eu te contar.
— A minha mãe e os demais acham que as conquistas que você tem hoje só existem por causa de Jorge Andrade, e é bem provável que, no futuro, tentem criar problemas no seu relacionamento com a família dele.
Laís abriu um sorrisinho:
— Não é pra tanto, é que só acho que ela parece ser um pouco diferente dos demais.
— Seja como for, não confie na família Vasconcelos tão facilmente. Na minha opinião, não há uma alma bondosa ali. — retrucou Carla.
Laís não disse mais nada.
Como Catarina já havia dado uma chave de ouro, Carla pôde, alegremente, escolher um par de pulseiras de ouro.
Em seguida, as duas deixaram a joalheria juntas, voltando para a Vila Magnólia.
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No dia seguinte, um sábado, Laís planejava dormir até tarde, mas logo cedo foi acordada pelo toque do telefone.
Era Clara Campos quem ligava, convidando-a para fazer arranjos florais.
Fazia algum tempo que ela e Clara não se viam.
Durante esse período, Clara volta e meia queria convidá-la para alguma atividade, mas era sempre rejeitada por ela.

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