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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 727

Clara Campos mostrou hesitação em seu rosto:

— Isso que você disse é realmente um pouco complicado...

De pé atrás das folhagens da estrelícia, Laís Monteiro cravou as unhas na palma da mão com força.

Ela, a princípio, imaginara que já havia desenvolvido imunidade contra todos os venenos que a família Vasconcelos lançava sobre ela.

Mas, naquele instante, quando palavras tão maldosas como 'maldição familiar de câncer' e 'o útero foi removido' saíram tão levianamente da boca de alguém que ela nunca tinha visto na vida, e ainda com tantos detalhes...

O seu coração pareceu ser agarrado por uma mão gigante que o apertava impiedosamente, doendo a ponto de impedi-la de respirar.

Clara ficou em silêncio por um instante e, de repente, suspirou levemente:

— Hebe, de fato, eu não sabia dessas coisas que você disse. Porém, eu tenho plena consciência do tipo de pessoa que a Laís é.

— Conheço-a há tanto tempo que confio fielmente em seu caráter.

Ouvindo isso, Hebe imediatamente franziu a testa, endurecendo um pouco o tom de voz:

— Clara, sinceramente, não seja tão branda! Ter bom caráter é uma coisa, mas aceitá-la na família é outra! A família Andrade é uma das mais importantes de Marbella, e Jorge é o único herdeiro. Se você trouxer para casa uma nora incapaz de procriar e que ainda pode ter a vida curta, como você prestará contas aos antepassados da família Andrade?

A voz de Clara ficou pesada, demonstrando clara insatisfação:

— A linhagem é claro que importa, mas não podemos usar o sofrimento dos outros para fazer intrigas. Além disso, tudo isso são meros boatos, não há sequer uma comprovação. Hebe, você nunca foi de fazer fofocas, por que está me dizendo essas coisas do nada?

Hebe engasgou com a repreensão, seu rosto ficou feio:

— Eu não estou só te dando um aviso amigável? Se você insiste em ser teimosa, quando se arrepender no futuro, não me culpe por não ter avisado!

— Eu, Clara Campos, faço amizades baseadas na sinceridade e não se a pessoa pode ou não me dar um neto.

O tom de Clara era calmo, porém firme. — Hebe, agradeço a sua boa intenção, mas você não precisa se incomodar com isso.

Após dizer isso, Clara se virou para sair, e de repente viu Laís parada atrás da estrelícia.

Hebe ficou sem saber onde enfiar a cara por um momento:

— ...

Temendo que Laís estivesse sofrendo por dentro, Clara segurou as mãos dela firmemente:

— Laís, me desculpe. Convidei você para fazermos arranjos florais com a intenção de relaxarmos, e acabei fazendo com que jogassem lama em você por um descuido meu nas amizades.

Com isso, o rosto de Hebe obscureceu de vez.

Laís não se estendeu muito, apenas deu um leve sorriso:

— Não foi nada, eu já estou acostumada. Não existe absurdo que não possa vir da família Vasconcelos.

— Já que estamos aqui e, como ouvi dizer que a arte floral da professora Hebe é excelente, eu não gostaria de perder essa ótima oportunidade. Que tal começarmos, professora Hebe?

Embora Hebe não tivesse mencionado, Laís já havia notado, pelo canto do olho, a silhueta ligeiramente rechonchuda espremida no espaço entre o ar-condicionado de pé e a parede.

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