Os olhos de Felipe encaravam fixamente a mão de Jorge apoiada na parede ao lado de Laís, e ele apertou os punhos instintivamente.
Não conseguia acreditar no que estava vendo.
Jorge a encurralara em seus braços, olhando-a de cima.
O ângulo e a distância revelavam uma intimidade digna apenas de apaixonados.
O mais crucial, contudo, era que Laís não se esquivara, muito menos o empurrara, e até... as orelhas dela estavam vermelhas.
Aquele tom avermelhado atingiu os olhos de Felipe como uma pontada afiada.
— ...
Felipe comprimiu os lábios finos numa linha reta, e seu pomo de adão se moveu bruscamente.
Sem a mínima hesitação, ele girou os calcanhares e seguiu diretamente em direção às escadas de incêndio.
Mesmo tendo preparado sua mente durante muito tempo.
E considerado a possibilidade de que um dia Laís e Jorge chegassem àquilo.
Imaginar era uma coisa; ver com os próprios olhos era outra completamente diferente.
O coração de Felipe quase não suportou o golpe, por pouco não perdendo toda a pose.
— Vocês dois são uma afronta à decência! Se querem dar uns amassos, não podiam escolher um lugar mais íntimo?
Vendo Felipe afastar-se a passos rápidos, Sofia fuzilou Laís e Jorge com o olhar e aproveitou a deixa para xingá-los com ferocidade.
Laís deixou escapar um deboche leve:
— Sofia Ramos, você é mesmo a suja falando do mal lavado. Em matéria de ser uma afronta à decência, ninguém tem mais experiência que você.
O sarcasmo forte nas palavras de Laís paralisou Sofia, cujo rosto oscilou entre a palidez e um tom esverdeado de raiva:
— Sua... sua...
Ela queria muito revidar, mas as palavras simplesmente sumiram quando chegaram à boca. Gaguejou vários "sua" durante algum tempo, incapaz de formular uma única frase inteira.
— Não dê trela a ela.
O olhar de Jorge passou reto por Sofia, como se ela fosse apenas um pedaço de ar; então, ele pressionou o botão para fechar a porta e se isolar daquele ambiente poluído pela presença dela.
— Qual é, Laís? Qualquer um com dois olhos consegue ver que o Jorge é a fim de você, caso contrário, acha que ele falaria isso do nada? E por que o susto? Para nós, vocês dois acabarem juntos era apenas uma questão de tempo.
Laís ficou paralisada:
— Quer dizer que o Jorge sempre gostou de mim? Mas ele nunca deixou isso claro. Além disso, vivia dizendo para eu considerá-lo como um irmão. Sem falar que não tenho nada digno de ser desejado: uma mãe solteira que já não é tão nova, com uma filha a tiracolo, enquanto ele tem uma aparência incrível e uma ótima família...
Carla não conteve um revirar de olhos:
— Laís, dá para ter um pingo a mais de confiança em si mesma?
— Olha o tanto de prestígio que você acumulou agora! Vai dizer que isso não deveria aumentar sua autoconfiança? Pare de se menosprezar, ok? Você está prestes a ganhar o prêmio de ouro da arquitetura, dar um salto gigantesco e entrar para o grupo dos mestres da área!
O tom exagerado de Carla não deixou que Laís decidisse se ria ou chorava.
Ela se preparava para retrucar quando, num acaso, ergueu a cabeça e, por cima do ombro de Carla, seu olhar pousou perto do parapeito da janela, logo adiante.
Naquela fração de segundo, a respiração de Laís falhou bruscamente.
Do lado de fora, a noite do País A exibia um esplendor próspero e deslumbrante ao extremo, com neons tecendo um rio fluente de estrelas, mas todo aquele brilho fora devorado pela silhueta escura e imponente daquela figura...

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