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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 755

Havia, incrivelmente, um homem sentado em silêncio no seu quarto à meia-luz.

Ele vestia uma camisa preta de corte minimalista, com o colarinho levemente aberto. Seus traços eram de uma beleza estonteante, os olhos escuros e cortantes. As bochechas apresentavam uma palidez de aspecto doentio, o que atenuava o excesso de beleza e lhe conferia um toque sombrio.

No instante em que Laís viu o homem, imediatamente se lembrou daquelas pinturas a óleo de nobres medievais expostas em catedrais do antigo Império Romano.

Aquele rosto, embora tivesse alguns contornos semelhantes aos dela, destacava-se de maneira extraordinária.

Especialmente seus olhos; bastou um olhar de soslaio para causar em Laís a sensação sombria de uma rajada de vento frio varrendo o rosto.

Devido ao ângulo de visão, Laís só conseguia ver suas mãos sobrepostas nos joelhos e a parte inferior do corpo coberta por uma calça social preta, que revelava um vazio.

No entanto, através daquele rosto bonito que gradualmente se sobrepunha a um contorno embaçado em sua memória, Laís reconheceu quase instantaneamente quem ele era.

A mão de Laís, que segurava o celular, começou a tremer levemente de forma incontrolável.

No segundo seguinte, o aparelho escorregou de seus dedos, caindo no chão de madeira com um baque surdo.

— Laís? Laís? O que aconteceu? — Carla continuava chamando ansiosamente do outro lado da linha.

Laís não conseguia mais ouvir.

Seu mundo, naquele momento, parecia ter sido silenciado; só restavam os batimentos frenéticos do seu próprio coração.

Ela apressou o passo, isolando por completo o som do celular.

Porém, quando realmente parou diante do homem, deteve-se instintivamente, reprimindo a imensa alegria em seu coração.

Laís fez o máximo para conter suas emoções, chamando-o com extrema calma e comedimento:

— Irmão.

O homem ergueu lentamente o olhar, fitando Laís.

Os olhares dos irmãos finalmente se encontraram após tantos anos; as emoções de ambos eram um misto complexo.

Ao longo de todos esses anos, estiveram praticamente sem contato. Na vida de cada um, coisas demais haviam acontecido.

Os laços de sangue e a saudade encharcada pelos anos explodiram naquele momento.

Os olhos de Laís arderam no mesmo instante; lutou para conter as próprias emoções e, de modo inconsciente, sua mão tocou a barra da calça dele.

Quando seus dedos sentiram algo parecido com um suporte mecânico em vez da maciez da pele, o coração de Laís despencou abruptamente, como se estivesse amarrado a uma pedra de mil quilos.

Ela sabia o que o irmão queria dizer.

Ambos haviam passado por muitos perigos e obstáculos, suportando, cada qual à sua maneira, um período imenso de imensas provações.

Poderem se ver vivos nesta vida, como estavam fazendo agora, era mesmo uma bênção.

A voz de Laís engasgou de forma involuntária:

— O que há de bom nisso? O que é bom? Olhe só, as suas pernas...

Laís ainda não conseguia aceitar a triste realidade de que o irmão havia perdido as duas pernas.

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