Uma veia saltou na testa de Felipe, e ele não pôde evitar soltar um nome por entre os dentes:
— ... Laís.
Seu peito subia e descia com a respiração alterada. Ele não conseguia entender por que, sempre que tentava assumir o controle da situação, acabava sendo manipulado daquele jeito.
Mas, olhando para o estado de inconsciência de Jorge e pesando as palavras de Laís, ele realmente não podia arremessá-lo no chão naquela altura do campeonato.
Não era que ele tivesse medo do status de Jorge no País A.
O que ele temia era que, se o soltasse ali, a responsabilidade de cuidar de Jorge cairia novamente nos braços de Laís.
E, como homem, compreendia melhor do que ninguém que momentos como aquele costumavam ser os mais perigosos, as ocasiões perfeitas para alguém se aproveitar da vulnerabilidade alheia.
— Tudo bem, vocês me venceram.
Felipe suspirou fundo e, resignando-se ao seu destino, cerrou os dentes e forçou os braços com tudo.
Levantou Jorge, jogando-o com esforço nas suas costas, e saiu a passos largos do elevador, caminhando em direção ao quarto de Jorge.
Observando a cena, Laís sorriu suavemente e fez menção de segui-lo.
Mas o sarcasmo passivo-agressivo de Zoraida ecoou quase imediatamente:
— Laís, eu nunca imaginei que você tivesse tantos truques, manipulando dois homens como o Jorge e o Felipe ao mesmo tempo.
Laís virou-se e deu-lhe um olhar indiferente:
— Com certeza, eu sou um pouco melhor que você nisso.
O rosto de Zoraida ficou lívido de raiva:
— Sua...
Ignorando-a, Laís correu atrás deles, encurtando a distância com passos rápidos. Pescou o cartão magnético do bolso de Jorge e destrancou a porta.
Assim que Felipe adentrou o cômodo com Jorge às costas, Laís rapidamente trancou a porta na cara de Zoraida, não dando a mínima para a mulher que agora gritava enfurecida do lado de fora.
Com grande esforço, Felipe descarregou Jorge em cima da cama de casal.
No instante em que tocou no colchão, Jorge afundou na superfície macia, esticou as longas pernas e acomodou-se confortavelmente.
De imediato, Laís se aproximou, com a intenção de tirar os sapatos dele.
Extremamente incomodado com a iniciativa de Laís, Felipe a puxou com uma mão grande para trás dele.
Mas bastava pensar que, se fosse embora, Laís trataria de cuidar daquelas necessidades de Jorge de próprio punho.
Se Jorge usasse aquele momento para puxar Laís para o seu colo... ele não ousava imaginar a cena.
Até porque fora sob aquelas mesmas circunstâncias, anos atrás, que o relacionamento entre ele e Laís havia se iniciado.
Justamente por isso, ele sabia mais que ninguém das verdadeiras intenções de Jorge naquele exato momento.
Laís suspirou com força, franzindo bem a testa:
— Do que ele tentaria se aproveitar? Olha o estado em que o homem se encontra. O que mais ele poderia fazer?
— Felipe, você está vendo coisas onde não existem.
Mas ele riu com desdém:
— Ele está simplesmente fingindo. Se um homem estivesse de fato inconsciente, seria impossível fazer tal coisa.
— E se não acredita, eu vou provar para você agora mesmo!
Tendo dito isso, Felipe virou-se bruscamente para Jorge, o olhar tornando-se feroz.

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