— Bang! Bang!
As balas rasparam nas paredes e o som dos tijolos se despedaçando estourou em seus ouvidos.
Sendo arrastada por Jorge, Laís tropeçou enquanto entravam no beco estreito.
A luz era fraca ali dentro, com paredes manchadas e montes de lixo de ambos os lados. O ar estava impregnado de um cheiro de podridão ainda mais forte.
— Abaixe-se!
Jorge forçou Laís bruscamente para baixo, escondendo-a atrás de uma mureta, enquanto ele próprio se colou à parede, esticando metade do corpo para espiar a entrada do beco.
Sua respiração estava acelerada e pesada, mas seu olhar permanecia incrivelmente calmo.
Laís se encolheu atrás da mureta, o coração quase saltando do peito.
Ela conseguia sentir o corpo de Jorge, tenso como a corda puxada de um arco. Claramente, ele também estava morrendo de medo.
Os passos se aproximavam cada vez mais.
Se continuassem escondidos ali, em poucos minutos estariam completamente expostos e seriam capturados por aqueles homens, aguardando-os um destino totalmente desconhecido e aterrorizante.
Jorge baixou a voz o máximo que pôde:
— Laís, me escute... Fique aqui e não se mexa. Vou me levantar e atraí-los para longe.
— Assim que eu os afastar, você corre! Corra para o leste!
— Se bem me lembro, há uma entrada para a rodovia no leste da cidade! Lá terá polícia! Vá pedir ajuda!
Ao ouvir aquilo, Laís se assustou e instintivamente tentou segurar o braço dele:
— Jorge...
Mas, antes que ela pudesse falar, Jorge já havia se levantado e disparado em alta velocidade para a esquina oposta.
Os três homens de preto, ao verem Jorge fugindo, imediatamente começaram a segui-lo.
Não sabia ao certo quanto tempo passara correndo, mas sentia que seus pulmões haviam se transformado em chumbo, queimando dolorosamente.
Bem quando suas pernas cederam, avisando que o limite havia chegado e que estava prestes a despencar de joelhos, uma mão a asfixiou pelo pescoço num ataque repentino por trás!
Imediatamente, sua respiração foi interceptada, e uma terrível sensação de sufocamento a atingiu em cheio.
Ela não tinha espaço para se virar nem via o rosto do agressor, porém captou um cheiro singular, um perfume suave, contudo, extremamente nítido.
Era um odor peculiar, o tipo que impregna na pele e se mistura ao corpo após anos de uso contínuo da mesma colônia.
O cheiro pareceu vagamente conhecido, como se o tivesse inalado antes, mas o nome do responsável escapou à mente de Laís naquele segundo de terror.
Durante o espasmo instintivo de lutar, a pressão asfixiante abrandou do nada.
Rapidamente, porém, aquela mesma mão deslizou para cima, tapando com firmeza a boca e o nariz dela.
Laís lutou contra as mãos do assaltante, tentou recuar, mas a empunhadura era cruel e inabalável.

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