— Mulher, ver você assim me deixa muito animado.
A voz do homem era baixa, sussurrada praticamente em seu ouvido em um tom que ela reconheceria em qualquer lugar.
Laís sentiu que até a voz era familiar, mas ainda não conseguia identificar de quem se tratava.
Apesar disso, ela podia sentir claramente que o predador nas suas costas estava focado nela.
Os pelos de Laís se eriçaram, ela mal conseguia puxar o ar, e sua mente começava a girar.
No exato instante em que pensou que ia sufocar, o homem a cobriu com um lenço levemente perfumado.
A pressão no pescoço diminuiu abruptamente e, por reflexo, ela puxou todo o oxigênio que pôde, inspirando toda a substância aromática em suas narinas.
O sujeito manteve o lenço grudado nela de forma brutal.
Em cada lufada de ar, a cada tentativa de recuperar o fôlego, Laís inalava a mesma essência.
Uma dúzia de segundos nessa asfixia envenenada bastou para os músculos cederem, sinalizando que a falha era drástica e imediata.
O agressor a espremeu violentamente contra a parede e deslizou uma das mãos com destreza, direto para o botão das calças de Laís.
— Me... larga!
Compreendendo instantaneamente as intenções do canalha, Laís berrou o comando por extinto.
Ao abri-la, constatou a própria fragilidade: a voz ressoou trêmula; seu peito ofegava incansavelmente; seu rosto incendiava e o corpo irradiava calor frenético.
Aquele perfume era, definitivamente, a causa do problema!
A constatação desse detalhe congelou-lhe a alma, paralisando cada nervo.
Atrás dela, o algoz estava tão rígido que mais parecia prestes a explodir.
Saber que a presa em seus braços era a mesma musa de suas antigas fantasias, a mulher que ansiara no passado e nunca havia podido possuir.
O autocontrole desapareceu de um segundo para o outro.

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