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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 793

A dor excruciante atacou.

Por puro instinto, o homem a golpeou com um soco violento.

A cabeça de Laís colidiu com a parede, provocando um zumbido atordoante, e ela tombou pesadamente no chão.

O sangue escorreu da cabeça do homem.

Ele cobriu a cabeça com as mãos, impressionado que Laís, naquele estado deplorável, ainda conservasse fôlego para reagir.

Tomado por uma fúria avassaladora, ergueu-se de supetão e desferiu um chute brutal contra Laís, sem vacilar.

O impacto acidentou-se diretamente contra o peito dela.

A dor rancorosa espremeu-lhe um gemido abafado, convulsionando todo o seu corpo em espasmos.

O sangue fluía contínuo da cabeça do homem.

Aos resmungos cheios de xingamentos, rasgou um naco de pano de suas vestes para comprimir o ferimento por instinto.

Naquela mesma fração de segundo, o celular de Laís disparou num ruído intermitente e o visor exibiu as letras de "Jorge Andrade".

Aquele toque, em toda a sua surpresa, recarregou a cadência cardíaca de Laís com uma esperança fulminante.

Ela abriu sua bolsa em um disparo e já empurrou o fone rumo à orelha.

As falas urgentes e repletas de desespero de Jorge jorraram pelo aparelho:

— Laís, onde você está?

— Astor já chegou com as pessoas dele, aqueles três foram contidos e nós estamos indo para o leste!

— Procure um lugar para se esconder! Nós chegaremos em breve!

Laís mal pôde balbuciar alguma resposta antes que a sombra ameaçadora lhe arrebatasse o celular.

Atropelando a defesa da garota, ele esmagou o botão de força para calar o dispositivo, atirando-o no concreto com crueza.

Diante dos fragmentos inúteis do telefone, Laís sepultou suas esperanças ao cerrar as pálpebras, aturdida.

Porém, simultaneamente àquela desolação, os ecos abafados de motores possantes vibraram a curta distância.

— A sua cavalaria chegou, hein?

Ele evidentemente capturara o recado de Jorge; assim que as notícias foram entregues, agachou-se em compasso lento e permitiu que a irritação passasse.

Observou, envolto em gélido sadismo, os contornos oculares de Laís. No limiar deste contato, uma silhueta conhecida eclodiu nas memórias dela.

As pupilas dela atrofiaram e sua incredulidade transmutou-se numa fala espontânea:

Pois Laís mantinha uma teimosa presença desperta na consciência.

Cônscio do cerco em marcha pelas milícias inimigas, ele mediu e detestou a compostura heróica ostentada no semblante da vítima.

Ademais, ao espelhar o contato daquelas íris desafiadoras, reconheceu indubitavelmente que Laís sabia exatamente da autoria.

Possesso pelo pânico abrupto, dispensou raciocínios secundários e içou o corpo mole para os assentos imundos do veículo inoperante à espreita.

Ao amargar o contuso arremesso nos estofados traseiros, o vigor orgânico da garota desmilinguiu um degrau adicional na escala da fraqueza.

Refreando as pontadas pulsantes que os surtos atordoados infligiam em suas têmporas, repousou debilmente nas lonas decrépitas:

— O que... o que diabos você quer?

— Eu não tenho rancor nem ódio contra você, por que você me trataria assim?

Recuperadas as ferramentas da locomoção, a ignição rugiu.

Convencido da ineficácia dos escudos camuflados após ser flagrado na alma de Laís, despovoou a região fácil da máscara tenebrosa e extraiu os invólucros peitorais para expor uma fisionomia pálida e doentia.

— Não sou eu quem realmente quer lidar com você ou destruir você.

— Eu, inicialmente, apenas planejava aproveitar essa confusão para desfrutar um pouco do seu corpo.

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