A dor excruciante atacou.
Por puro instinto, o homem a golpeou com um soco violento.
A cabeça de Laís colidiu com a parede, provocando um zumbido atordoante, e ela tombou pesadamente no chão.
O sangue escorreu da cabeça do homem.
Ele cobriu a cabeça com as mãos, impressionado que Laís, naquele estado deplorável, ainda conservasse fôlego para reagir.
Tomado por uma fúria avassaladora, ergueu-se de supetão e desferiu um chute brutal contra Laís, sem vacilar.
O impacto acidentou-se diretamente contra o peito dela.
A dor rancorosa espremeu-lhe um gemido abafado, convulsionando todo o seu corpo em espasmos.
O sangue fluía contínuo da cabeça do homem.
Aos resmungos cheios de xingamentos, rasgou um naco de pano de suas vestes para comprimir o ferimento por instinto.
Naquela mesma fração de segundo, o celular de Laís disparou num ruído intermitente e o visor exibiu as letras de "Jorge Andrade".
Aquele toque, em toda a sua surpresa, recarregou a cadência cardíaca de Laís com uma esperança fulminante.
Ela abriu sua bolsa em um disparo e já empurrou o fone rumo à orelha.
As falas urgentes e repletas de desespero de Jorge jorraram pelo aparelho:
— Laís, onde você está?
— Astor já chegou com as pessoas dele, aqueles três foram contidos e nós estamos indo para o leste!
— Procure um lugar para se esconder! Nós chegaremos em breve!
Laís mal pôde balbuciar alguma resposta antes que a sombra ameaçadora lhe arrebatasse o celular.
Atropelando a defesa da garota, ele esmagou o botão de força para calar o dispositivo, atirando-o no concreto com crueza.
Diante dos fragmentos inúteis do telefone, Laís sepultou suas esperanças ao cerrar as pálpebras, aturdida.
Porém, simultaneamente àquela desolação, os ecos abafados de motores possantes vibraram a curta distância.
— A sua cavalaria chegou, hein?
Ele evidentemente capturara o recado de Jorge; assim que as notícias foram entregues, agachou-se em compasso lento e permitiu que a irritação passasse.
Observou, envolto em gélido sadismo, os contornos oculares de Laís. No limiar deste contato, uma silhueta conhecida eclodiu nas memórias dela.
As pupilas dela atrofiaram e sua incredulidade transmutou-se numa fala espontânea:
Pois Laís mantinha uma teimosa presença desperta na consciência.
Cônscio do cerco em marcha pelas milícias inimigas, ele mediu e detestou a compostura heróica ostentada no semblante da vítima.
Ademais, ao espelhar o contato daquelas íris desafiadoras, reconheceu indubitavelmente que Laís sabia exatamente da autoria.
Possesso pelo pânico abrupto, dispensou raciocínios secundários e içou o corpo mole para os assentos imundos do veículo inoperante à espreita.
Ao amargar o contuso arremesso nos estofados traseiros, o vigor orgânico da garota desmilinguiu um degrau adicional na escala da fraqueza.
Refreando as pontadas pulsantes que os surtos atordoados infligiam em suas têmporas, repousou debilmente nas lonas decrépitas:
— O que... o que diabos você quer?
— Eu não tenho rancor nem ódio contra você, por que você me trataria assim?
Recuperadas as ferramentas da locomoção, a ignição rugiu.
Convencido da ineficácia dos escudos camuflados após ser flagrado na alma de Laís, despovoou a região fácil da máscara tenebrosa e extraiu os invólucros peitorais para expor uma fisionomia pálida e doentia.
— Não sou eu quem realmente quer lidar com você ou destruir você.
— Eu, inicialmente, apenas planejava aproveitar essa confusão para desfrutar um pouco do seu corpo.

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