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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 804

A cabeça ainda estava pesada e confusa, o peito doía de forma abafada. Ela se encostou no peito de Jorge, ouvindo os batimentos do coração dele, enquanto suas pálpebras pesavam involuntariamente. Sem perceber, caiu no sono mais uma vez.

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No Hotel Península.

Melissa e Zoraida tiveram um trabalho imenso e, com as manobras obscuras de Sandro, finalmente conseguiram tirar Sofia de lá de dentro.

Embora tivesse ficado presa por poucos dias, Sofia havia sofrido bastante.

Quando saiu, estava tão magra que parecia outra pessoa, o corpo coberto de hematomas, o rosto pálido como cera. Parecia um fantasma, mal se assemelhando a um ser humano.

Melissa e Zoraida levaram um susto ao vê-la e, imediatamente, a levaram de volta para a suíte do hotel.

Sofia tomou banho, vestiu o pijama e comeu algo, até que finalmente sua alma pareceu voltar ao corpo.

Aos prantos, ela começou a relatar tudo o que havia passado naqueles dias.

Comer comida estragada ou ser castigada foram as coisas mais leves.

O que quase a matou foi o fato de a polícia tê-la trancado junto com indivíduos de gênero fluido.

Esse tipo de identidade era permitido pelas leis do País A, e essas pessoas podiam, por vontade própria, decidir ser homens ou mulheres como bem entendessem.

Ao chegar nessa parte, Sofia estremeceu violentamente, como se as lembranças de arrepiar a espinha voltassem a assombrá-la.

Ela abraçou os próprios ombros com força, cravando as unhas na própria carne:

— Aquelas aberrações tinham uma força assustadora, me prenderam no chão... Eu gritei até rasgar a garganta, mas ninguém fez nada. Eles, pelo contrário, acharam ainda mais excitante e me torturaram de todas as formas possíveis...

Enquanto falava, o olhar de Sofia disparou um ódio fulminante:

— Foi tudo culpa da Laís! É tudo culpa dela, me empurrando para esse poço repetidas vezes!

— Ela e Jorge foram levados por um amigo dele, sob o pretexto de visitar construções antigas, para a Vila do Vício, o lugar mais caótico, sujo e sombrio de todo o País A...

— Já se passaram cinco dias inteiros, e o quarto deles continua vazio. Eu perguntei na recepção, e eles não voltaram ao hotel em momento algum. Temo que, a essa altura, o pior já tenha acontecido. Nove entre dez chances de estarem...

Ao ouvir isso, Sofia tremeu de tanta empolgação.

Ela se jogou na frente de Zoraida, prestes a pedir mais detalhes.

Mas foi exatamente nesse momento que a porta do quarto foi escancarada com violência, e Felipe apareceu no limiar com uma expressão sombria.

Antes que as três pudessem reagir, Felipe avançou rapidamente, agarrando o pulso de Zoraida. Sua voz rouca estava carregada de choque:

— O que... o que você acabou de dizer?

— Por que nestes últimos cinco dias, quando eu te perguntei repetidamente se você sabia do paradeiro de Laís e Jorge, você me disse que não sabia de nada?

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