Era a primeira vez que ela olhava diretamente para ele em três anos, mas apenas por um instante, antes de desviar o olhar.
Seus olhos continuavam límpidos e escuros como no passado. Mas ao olhar para ele, já não transbordavam de amor; agora só restava uma calma indiferente.
O coração dele pareceu esvaziar-se de súbito, e seu olhar se apagou.
— Sabrina, os pais foram para Auckland buscar o avô Silva. Não tem ninguém em casa, passe esses dias aqui com a gente. — Sofia tinha postura de irmã mais velha, pensando em cada detalhe para ela. — Na família Guimarães eu posso cuidar de você. Sofreu demais lá fora sozinha por todos esses anos.
Sabendo do seu envolvimento no passado com Gustavo, ela ainda a deixava ficar na casa. Se Sofia não a tivesse amado e protegido tanto desde sempre, Sabrina desconfiaria de que ela queria humilhá-la de propósito.
Apesar da excelente fama de Sofia nos círculos elitistas, sendo dona de uma beleza extraordinária, elegante e generosa... hospedar a ex-namorada de seu marido na própria casa não era um pouco de generosidade além da conta?
Mesmo sendo sua irmã caçula, as mulheres, ao defender a felicidade no casamento, não deveriam ser mesquinhas e cautelosas?
Uma ponta de sorriso frio desenhou-se no canto da boca de Sabrina:
— Nesses últimos anos, eu também fiquei sozinha na Califórnia.
Ao sobreviver naquele lugar estranho cheio de estrangeiros, ela já tinha aprendido a se virar sozinha.
Além do mais, a casa da família Silva ainda era seu lar, e havia funcionários lá.
Sofia fitava o rosto encovado de Sabrina, com o coração partido:
— Sabrina, não nos vemos há três anos. Será que você não quer colocar o papo em dia comigo?
— Haverá muito tempo para colocar o papo em dia. — O relacionamento constrangedor que ela e Gustavo tinham atualmente tornava completamente desnecessário estarem debaixo do mesmo teto. — Irmã, peça para o motorista me levar de volta para a casa dos Silva.
Gustavo pousou o chá contra a ressaca, pegou o paletó e ia subir as escadas, mas parou no meio do caminho:
— Já é tarde. Mesmo que queira ir, deixe para amanhã.
Sabrina se aproximou da mesa, sentou-se na frente dele e cumprimentou de forma fria:
— Bom dia.
Gustavo se surpreendeu um pouco, e respondeu:
— Bom dia.
Ela achou estranho. Já passava perto das oito da manhã e ele estava ali tranquilo lendo o jornal, não ia trabalhar?
O seu café da manhã era igual ao dele: um sanduíche, um copo de leite e torradas.
Ela apenas deu duas mordidas no sanduíche e, após terminar de beber o leite, ficou satisfeita e usou um guardanapo para limpar os cantos da boca.
— O café da manhã é muito importante, você comeu muito pouco. — Gustavo fechou o jornal nas mãos; a capacidade dela de se alimentar havia se tornado espantosamente minúscula.

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