Como ela era do tipo que se envergonhava facilmente, palavras como aquelas eram muito difíceis de pronunciar.
Ao terminar, seu rosto belo e limpo ruborizou-se de modo delicado, exibindo um charme vívido sob a luz.
Ela tinha uma pele muito boa, lisa como jade, rosada como a de um bebê, parecia que iria se romper com um simples toque; era uma pureza acompanhada de sedução.
Antônio Jordão apertou os olhos para analisá-la da cabeça aos pés, curvando os lábios finos numa expressão de escárnio:
— Não fico com qualquer mulher que se atira em mim.
Sabrina sentiu a humilhação misturar-se com a raiva. Seu rosto claro avermelhou-se ainda mais, deixando-a com uma aparência mais radiante. Seus olhos cristalinos e limpos eram extraordinariamente brilhantes.
Ela mordeu o lábio de leve e, num rompante de coragem, adiantou-se para abraçar a cintura dele, sem ousar colar o seu corpo no dele.
Ergueu a cabeça e o encarou diretamente nos olhos:
— E a mim, você aceita?
— Falta de dinheiro? — Havia um certo grau de brincadeira nos olhos dele, baixando a visão para os braços dela, delicados como talos de lótus, em torno de sua cintura.
— Você é bonito, não é nenhum sacrifício ser a sua mulher. — Ela abriu um sorriso, e o brilho do lustre espatifou-se em feixes reluzentes dentro de suas pupilas escuras.
Antônio Jordão soltou uma risada fria de deboche:
— E o que mais?
Ela hesitou um pouco e logo balançou a cabeça:
— Mais nada.
Ele já tinha conhecido inumeráveis casos assim, porém, ela foi a primeira a falar com tamanha naturalidade e de um jeito tão direto.
Não pôde deixar de observá-la mais a fundo.
Como ele demorasse a falar, Sabrina levantou o rosto para enfrentar aqueles olhos profundos e indecifráveis. Sua visão desceu polegada por polegada e fixou-se sobre os lábios delgados dele.
Ficou nas pontas dos pés e começou a se aproximar lentamente; assim que tangenciou a beirada do lábio dele, ele a afastou.
— Sem experiência?
A vergonha coloriu o rosto da mulher de vermelho no mesmo instante. Queria enterrar a cabeça debaixo das cobertas, e emitiu uma voz baixa e envergonhada:
— Sim.
Antônio olhou para suas bochechas coradas. Pela curta distância, pôde ver claramente a trêmula vibração de seus longos e fartos cílios — um sinal que delatava seu nervosismo e aflição.
Ele nunca teve a índole de guardar sua castidade para ninguém, e não exigiria que o corpo e a mente da parceira fossem limpos; não obstante, reparar em sua expressão encabulada e nervosa o fez hesitar por uma fração de segundo.
Sabrina estava com os olhos baixos e, como ele não esboçou reação por muito tempo, a vergonha a fez querer encolher a cabeça para dentro dos ombros.
Ela quis se afastar de cima dele, mas, no instante seguinte, ele a puxou pela nuca, pressionou o rosto dela para baixo e a virou.
Após uma reviravolta repentina, Sabrina, assustada, agarrou-se ao pescoço dele, os olhos transparecendo um choque momentâneo de perplexidade.
Tendo trocado de posição, contemplar o rosto bonito que pairava sobre o dela fez a sua respiração falhar.

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