Corretora San Diego - CA, 4:00 PM...
Havíamos agendado uma visita em uma corretora simples, no centro da cidade. Minha mãe, pegou um táxi para me encontrar e então, vim direto do trabalho, para podermos escolher um apartamento.
— Vamos pegar um com dois quartos, o que acha? - Perguntei a vendo me olhar confusa.
— Lavine, por que dois? Aconteceu alguma coisa entre vocês? - Perguntou ela, já pegando o problema no "ar".
— Claro que não, mas, não quer me receber como visita? - Perguntei, sorrindo. Depois que meu pai foi preso, ela pareceu mais leve e acessível a mim.
— Realmente não aconteceu nada? - Perguntou ela, mais uma vez se mostrando preocupada.
— Dona Samira, quantas vezes mais, preciso dizer? - Perguntei me aproximando dela, a abraçando em seguida. — Fique tranquila.
Ela sorriu e retribuiu o abraço, acariciando os meus cabelos. Naquele instante, fiz de tudo para que el não percebesse nada, mas eu estava muito magoada, na verdade.
Eu nunca quis me envolver com ninguém, após ter conhecimento do verdadeiro relacionamento entre meus pais. Sempre acreditei em príncipes encantados, montados em cavalo branco, até descobrir que, tudo isso, era influência de filmes infantis, para agradar crianças ingênuas.
E eu fui uma delas, mesmo não sendo mais, como uma criancinha indefesa. O primeiro amor de uma garota, sempre será o pai, mas se o pai já for o motivo de decepção, os outros homens também serão.
Pensativa, eu estava estralando os dedos e nem mesmo percebi, que minha mãe estava falando comigo.
— Lavine? Está me ouvindo? - Perguntou ela, sacudindo meu braço. — Seu marido se ofereceu para vir nos buscar e me ajudar com a mudança.
— Mãe, por que chamou ele? - Perguntei irritada.
— Você tem certeza de que nada aconteceu? Até ontem, eu viria um sorriso nesses seus lábios, por que está arisca?
— Não é nada, eu já disse. - Respondi me levantando, indo até a porta. Instantes depois, o corretor entrou por ela, dando de frente comigo.
— Ah, me desculpa pela demora, senhorita! Aqui está! - Disse ele, me entregando um "molho" de chaves. — A limpeza já foi realizada, está tudo pronto para se mudarem.
Assim que ele disse, minha mãe se levanto animada e veio até nós, com um lindo sorriso.
— Eu não acredito que foi tudo tão rápido, muito obrigada. - Disse ela, de forma agradecida.
— Ah, esqueci de mencionar, a senhorita disse que trabalha para a Schimidth Company Corporation? - Perguntou ele me olhando fixamente. Como eu havia ido do trabalho direto, o crachá ainda estava preso no meu pescoço e foi então que percebi, o quanto poder Arson tinha, sobre toda a cidade.
— Não me lembro de ter o dito, mas o que há nisso? - Perguntei confusa.
— Temos um convênio com a empresa, justamente para os funcionários. A senhorita tem uma oferta de seis meses de moradia, pela metade do preço!
— Nossa filha, como isso é bom! - Disse a minha mãe, cutucando meu braço, com animação.
— Claro! - Respondi fraca. Eu sabia que Arson estava envolvido nisso.
Agradecemos e guardamos a chave, saindo da corretora em seguida, mas quando chegamos na calçada, Arson estava dentro do carro, estacionado do outro lado da rua, nos esperando.
Respirei fundo e desviei o olhar, estendendo o indicador para chamar um taxi. Como se não bastasse o meu desprezo, Arson buzinou, chamando a nossa atenção, fingindo que nada havia acontecido.
— Arson, meu filho! - Disse minha mãe, com o timbre animado, indo até ele. Arson desceu do carro e sorriu para ela, ouvindo-a contar que conseguimos um lugar ótimo para que ela ficasse.
Por um instante, os olhos dele vieram de encontro aos meus e por um instante, até pensei em desviar novamente, mas abracei a alça da bolsa e caminhei até eles.
— Vamos mãe, ou ficará tarde! - Falei direcionado a ela, olhando-o em seguida.
Arson sorriu para a minha mãe e abriu a porta para ela entrar. Dei a volta e quando eu ia abrir a porta para me sentar ao lado dela, Arson a travou.
Dei de costas para ele, continuando a andar pela pista, mas mais uma vez, Arson se aproximou e me segurou, me impedindo de andar.
— Desculpa, eu não sei onde estava com a cabeça. Sei que não é desculpa, mas eu não sei o que aconteceu, perdi completamente a cabeça. Não passou daquilo e não valeu de nada para mim. - Disse ele, prendendo minhas costas contra o corpo dele, me abraçando forte.
— Arson, me solta! - Pedi irritada.
— Não! - Disse ele, me mantendo presa a ele. Sei que aquilo não era uma situação boa, mas senti Arson enrijecido e aquilo, me deu repulsa.
Como ele poderia se excitar naquela situação?
Arson me virou e como um louco descontrolado, tomou meus lábios para ele, sem nem mesmo se importar com quem nos assistia. Eu tentei me afastar, mas foi sem sucesso.
Ele era forte, tinha uma estrutura corporal como a de um lutador. Os ombros e costas largas, os braços fortes e pesados e um altura que deixaria qualquer um, intimidado.
Eu tentava me soltar, mas ele me segurava cada vez mais forte. Eu já estava me sentindo amedrontada com aquilo. Foi então que, tive a brilhante ideia de o morder.
Senti o gosto de ferro nos meus lábios e então, Arson me soltou, tocando a boca.
— Lavine, você é um cachorro? - Perguntou ele, com raiva, me olhando friamente.
— Você também é! Tá no cio? Como ousa me beijar a força e logo depois de beijar outra? - Perguntei, formando um bico nos lábios, dando de costas para ele. Caminhei de volta para o carro, vendo-o vir atrás de mim, mas separados.
Arson entrou no carro e começou a dirigir apressado, enquanto encarava os dedos ensanguentados.
— Nunca mais faça isso! - Disse ele, de forma autoritária, me encarando em seguida.
— Não se preocupe, eu não farei!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem de Luxo
Qdo vão liberar os capítulos ???lento demais...