POV/ Nathan
Voltei a beijá-la.
Não com a pressa do corredor. Não com a raiva de quando separei a boca dela daquele desconhecido. Dessa vez minhas mãos chegaram primeiro.
Passei os dedos pelos braços dela, da palma até o ombro, sentindo o calor da pele sob as alças finas. Sakura tremeu. Só um pouco. O bastante para eu perceber. O tipo de tremor que eu já tinha visto nela em outras noites, outras casas, outros anos — nunca numa suíte. Desci a boca pelo maxilar, inspirei o perfume dela no ponto em que o cabelo prendia o pescoço, e o polegar encontrou a gargantilha outra vez — aquela tira estreita que eu tinha tocado minutos atrás e que agora parecia posta ali só para me enlouquecer.
A mão direita atravessou o peito por cima do vestido.
Senti o coração dela.
Rápido.
Desigual.
Igual ao meu.
Percorri a cintura, a barriga, a lateral das coxas, a faixa de pele descoberta entre a barra preta e as meias 7/8. Sakura abriu um pouco as pernas sem eu pedir. Os saltos ainda estavam nos pés. O vestido tinha subido mais um palmo quando a deitei, e a gargantilha subia e descia com cada respiração.
Parei.
Olhei.
Cabelo preto espalhado no travesseiro escuro. Boca vermelha. Olhos escuros me encarando de baixo, ainda desafiadores, ainda Sakura. A alça direita tinha escorregado outra vez. Eu a coloquei de volta no ombro com o indicador, devagar, como se aquele tecido fosse a única coisa no quarto que eu ainda conseguia tratar com cuidado.
Rasgar seria fácil.
Qualquer homem naquele clube rasgaria.
Preservar pedia a parte de mim que ainda estava pensando em como ela sairia daqui depois. Se tinha outra roupa. Se o corredor ainda estaria cheio. Se alguém veria o que eu tinha feito com o vestido dela.
Eu não ia rasgar.
— Nathan — ela falou, a voz baixa.
Do jeito dela. Aquele Nathan que eu conhecia desde antes de saber o que o nome fazia comigo. Não o gemido de uma sessão. O nome como ela sempre tinha dito, com a ponta um pouco mais fechada, como se ainda estivesse me provocando mesmo pedindo.
Não respondi.
Passei o dorso da mão pelo lábio inferior dela. Ela mordeu meu dedo. Não forte. Só o bastante para me lembrar quem era. O mesmo gesto de sempre: o lábio entre os dentes quando queria me tirar do sério e fingia que não.
Inclinei o rosto e beijei o pulso dela.
A pele ali era fina. Quente. A veia batia contra minha boca. Fiquei um segundo a mais do que o resto do quarto pedia, o polegar cobrindo o outro pulso, sentindo os dois ao mesmo tempo.
O interior do cotovelo. A clavícula. Cada lugar que eu tinha passado anos fingindo que não queria. A pele estava quente. Lisa. Viva. Sakura soltou o ar pela boca quando minha palma cobriu o peito direito por cima do vestido, o polegar desenhando o contorno, sentindo o mamilo endurecer sob o tecido.
Eu conhecia aquele corpo.
Não como conhecia as mulheres que vinham para aquela suíte.
De outro jeito.
Do jeito que a gente conhece uma coisa que passou tempo demais proibida.
O jeito que ela encolhia o ombro quando a alça caía. O jeito que o canto da boca subia primeiro, sempre o esquerdo, antes do sorriso inteiro. O jeito que os olhos escuros fingiam coragem um segundo antes de ela realmente ter.
Eu conhecia aquilo.

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