POV/ NATHAN
Virei-a.
Não foi um puxão. Foi o corpo inteiro. Uma mão na cintura, a outra no quadril, e Sakura rolou sobre o próprio eixo em cima do colchão. As tiras longas giraram com ela, o couro flexível acompanhando os pulsos sem puxar os ombros, sem encurtar, sem prender o movimento. Ela foi de costas para baixo até ficar de bruço, os braços ainda à frente, ainda ancorados no centro da cabeceira, as tiras agora cruzando o travesseiro em diagonal suave.
— Sobe — falei, baixo, a palma na cintura dela.
Sakura dobrou os joelhos. Empurrou o quadril para cima. Foi para quatro apoios sozinha, mesmo com as mãos presas à frente — as tiras tinham folga bastante para isso, os cotovelos no colchão, as palmas abertas contra o tecido escuro, o corpo em ponte entre a cabeceira e mim.
O cabelo preto caiu para um lado, longo, quase até a cintura, cobrindo parte do rosto. O vestido subiu sozinho. A bunda dela ficou à minha frente, desenhada pelo tecido preto justo, as meias 7/8 contrastando com a faixa de pele das coxas, os saltos ainda enfiados no colchão.
Dei um tapa.
Não forte.
O suficiente para o som estalar no quarto e o corpo dela ir um palmo para a frente. As tiras absorveram. Os pulsos não sofreram.
Sakura soltou um som entre gemido e risada.
— Nathan...
Ajoelhei atrás dela.
O carpete grosso recebeu meu peso. Inclinei o tronco sobre as costas dela, o peito nu encostando no vestido, e cheguei perto da orelha. O cabelo dela cheirava a perfume e a corredor, a briga, a beijo. O mesmo cheiro de sempre, o que eu reconhecia num cômodo antes de ver o rosto. Segurei a cintura com uma mão. Com a outra, afastei os fios pretos do pescoço.
Olhei de novo para as mãos dela.
Abertas na colcha. Os dedos se mexendo. As algemas escuras contra a pele clara dos pulsos.
— Eu não vou machucar você.
Sakura virou o rosto o máximo que o ombro permitia. Um olho escuro me achou. Aquele olhar de quem estava tentando parecer mais corajosa do que estava — eu conhecia. Tinha visto em tempestade, em hospital, em porta de quarto. Tinha visto agora.
— Que fofo.
— Estou falando sério. — Meus lábios roçaram a orelha dela. — Sua pele é perfeita. Eu não quero marca que você não pediu. Não quero que você saia daqui doendo do jeito errado. Se alguma coisa passar do ponto, você fala. Sem graça. Sem desafio. Fala.
Ela piscou devagar.
Depois sorriu aquele sorriso.
— Você é muito frouxo.
A frase acertou exatamente onde ela queria.
Fechei os dedos no cabelo dela, juntei os fios pretos e joguei tudo para o lado esquerdo, deixando a nuca, a orelha, a linha da gargantilha descobertas. Sakura arqueou o pescoço. Mordei o lóbulo. Depois a pele logo abaixo. Não o bastante para romper. O bastante para ela arrepiar inteira, o corpo se contraindo debaixo do meu, um gemido baixo escapando contra o travesseiro.
— Frouxo? — falei na orelha dela.
— Um pouco.
Desci a mão pelas costas.
Devagar.

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