POV/ NATHAN
Porque eu conhecia o rosto que ela fazia quando tentava esconder que alguma coisa tinha sido demais — e dessa vez ela não escondeu. Os olhos se fecharam. A boca ficou aberta. A persona atrevida simplesmente não estava ali por alguns instantes. Só Sakura. Só o corpo. Só o meu nome tentando e não chegando.
Apertei a cintura com força demais. Continuei fodendo através das contrações, sentindo cada uma, e a ideia de que ela tinha gozado assim — em mim, por mim — subiu pelo peito num calor que não era só tesão.
Segurei.
Os dentes cerrados. A mandíbula doendo. O pau latejando dentro dela, a camisinha quente, o látex ainda no lugar. Não. Ainda não.
Ela caiu.
As pernas cederam. O peito foi ao colchão, de bruço, os braços ainda esticados na cabeceira, as tiras longas acompanhando a descida sem puxar os ombros, a bunda erguida só porque eu segurava. Guiei uma perna para o lado. O joelho abriu. A meia 7/8 riscou o lençol escuro. Entrei de novo naquele ângulo, mais raso, mais esmagado, o peso do meu corpo cobrindo o dela.
Fodi.
Fodi.
Fodi.
Sakura gritava contra o colchão, a voz já rouca, as palavras se desfazendo no tecido. Cada grito me atravessava com a mesma merda: se alguém no corredor ouvisse. Se a porta não fosse pesada o bastante. Se Diego, a caminho daquele clube, a reconhecesse naquilo. A ideia deveria ter me feito parar. Não fez. Só me fez meter mais fundo, o queixo no ombro dela, a mão enfiada no cabelo preto.
A outra mão foi até os pulsos.
Por cima. Só para sentir. O couro. A pele. O calor.
Virei-a.
De novo o corpo inteiro. Mão no quadril, a outra nas costas, e Sakura rolou sobre o eixo outra vez, de bruço para costas, as tiras longas girando com os pulsos, o couro flexível acompanhando sem abrir, sem encurtar, sem soltar. Ela foi parar deitada, os braços acima da cabeça outra vez, as duas algemas no lugar, o cabelo uma bagunça preta sobre o travesseiro, o vestido ainda na cintura, as pernas abertas em volta de mim.
Puxei o decote.
Não rasguei.
As alças desceram pelos braços presos o máximo que o tecido permitiu, e os peitos dela ficaram expostos — médios, o bico escuro, subindo e descendo rápido demais. O vestido continuou nela. Amassado. Descido. Inteiro.
Entrei de novo.
Beijei a boca. Beijei o peito. Chupei o mamilo enquanto o quadril trabalhava, fundo, constante. Sakura gemeu dentro do beijo, gemeu no meu cabelo, gemeu no teto. Sem frase. Sem graça. Só som.
— Perfeita — falei contra o peito dela. — Você é... porra. Você é perfeita.
A mão desceu entre a gente.
O clitóris estava inchado, molhado, sensível demais. Esfreguei em círculos curtos enquanto metia. Sakura abriu a boca sem som. Depois o som veio, alto, e o corpo dela disparou outra vez — um orgasmo em cima do outro, as pernas se fechando no meu quadril, as unhas que ela não podia usar se convertendo em punhos fechados dentro das algemas. Os olhos marejaram. Não de choro. De não conseguir mais fingir que dava conta de continuar sendo a mulher que ria na minha cara.
Segurei.
O pau doía de não gozar. A camisinha já estava quente demais. Continuei. O polegar no clitóris, o quadril batendo, e Sakura começou a se debater de verdade. As pernas. Os pés. Os saltos riscaram minha panturrilha. Forcei os joelhos dela para os lados, abrindo, segurando, e ela olhou para mim com a boca aberta, a gargantilha subindo com cada grito, o olhar da coragem falsa agora simplesmente ausente.
O squirt veio sem aviso.
Quente. Em jato. Na minha barriga, na virilha, escorrendo pelo baixo ventre enquanto eu continuava dentro, continuava mexendo no clitóris, e ela se esperneou, se debateu, puxou as tiras com uma força que fez a cabeceira reclamar — as tiras longas esticaram até o fim, as algemas não abriram, os pulsos ficaram onde eu tinha colocado. O segundo veio em cima do primeiro. Ela gritou meu nome. Gritou um xingamento que não terminou. Gritou nada. O colchão escuro manchou. Minha pele ficou brilhando com ela.
Fiquei olhando.
O cabelo colado no rosto. Os peitos expostos, subindo descompassados. A boca vermelha. A gargantilha. As meias. Os braços presos. Os pulsos. A buceta pulsando em volta de mim, escorrendo, linda de um jeito que nenhuma sessão naquela casa tinha chegado perto.
A coisa mais sensual que eu já tinha visto.
A mais intensa.
E em nenhum momento ela pediu para parar.
Porque da mesma forma que eu estava perdido nela, ela estava perdida em mim. Eu sabia. Ela tinha dito, anos atrás, com a clareza cruel de quem não tinha medo de palavra. Eu nunca devolvi. Não ia devolver agora, com o pau ainda dentro, com o gosto dela ainda na boca, com Diego existindo em algum lugar daquela cidade.
Mostrei do único jeito que eu conseguia.
Meti até o fim. Segurei a cintura. Enfiei o rosto no pescoço dela, na gargantilha, e gozei na camisinha com um som que não reconheci, o corpo inteiro travando, o quadril colado ao dela, o nome dela entre os dentes.
Fiquei assim.
Alguns segundos.
A respiração dela no meu ouvido. A minha no cabelo dela. As tiras ainda presas. As algemas ainda fechadas. O quarto baixo e quente. A garrafa fechada na mesinha, intocada. O espelho devolvendo os dois, destruídos, no meio da cama que eu não tinha planejado usar com ela.

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