POV/ NATHAN
O clitóris estava duro contra a língua. Acelerei. Sakura parou de provocar. Parou de falar. Só existia o gemido, o quadril descompassado, as coxas tremendo dos dois lados da minha cabeça. Os dedos dela, à frente, tentaram se fechar. As algemas não deixaram. Os punhos apertaram o nada. Senti o corpo dela juntar. Aquele aperto específico em volta dos dedos. A respiração presa. O ombro que sempre encolhia agora travado.
Ela gozou.
Não precisei de mais do que o corpo para saber. As contrações vieram em onda, uma atrás da outra, a buceta pulsando na minha boca, um som quebrado saindo dela — não uma palavra, um fio de ar que não chegou a ser meu nome. As tiras esticadas ao máximo. Continuei. Até ela tentar fechar as pernas. Até o gemido virar um protesto molhado contra o travesseiro. Até os pulsos puxarem e a folga das tiras longas devolver os braços alguns centímetros, inútil.
Afastei o rosto.
A boca estava brilhando. O queixo também.
Inclinei sobre as costas dela outra vez, o peito encostando no vestido erguido, e falei no ouvido, a voz rouca demais para o meu gosto:
— E ai? Gostou do ínicio da R
Sakura virou o rosto, o cabelo colado na bochecha, os olhos escuros sem foco por um segundo. O peito dela ainda tentava achar o ritmo. Depois o sorriso, torto, teimoso. O esquerdo primeiro. Sakura voltando.
— Você fala demais.
Ainda ria. Ainda respondia. Ainda ela.
A palma acertou a bunda outra vez. O estalo encheu o quarto. Ela riu. Gemeu. As duas coisas juntas.
A mão esquerda foi ao pescoço dela.
Não apertei. Só segurei. O polegar na gargantilha, os dedos na mandíbula, e virei o rosto dela o bastante para beijar a boca de lado, de cima, um ângulo ruim e perfeito. Sakura beijou de volta. Bagunçado. Sem ar. A outra mão desceu pela frente do vestido, enfiou-se no decote, encontrou o peito nu e apertou. O mamilo entre os dedos. Ela arquejou dentro do beijo.
Soltei.
Saí da cama só o tempo de tirar o resto.
Sapatos. Cinto. Calça. Cueca.
O pau doía, pesado, a cabeça já molhada, e Sakura olhou por cima do ombro mesmo com os braços presos, os olhos descendo pelo meu corpo com uma fome que não combinava com alguém que tinha acabado de gozar. O olhar dela parou, subiu, encontrou o meu. Mordeu o lábio. De propósito. Eu conhecia.
Fui ao armário embutido.
A porta escura abriu em silêncio. Acessórios alinhados. Prateleira com o que a casa deixava à disposição. Peguei a camisinha. Fechei. Voltei.
Sakura ainda estava de quatro, o vestido na cintura, a bunda marcada pelas minhas mãos, a buceta brilhando, as tiras longas esticadas até o centro da cabeceira, as duas algemas no lugar. O espelho comprido na parede pegou a gente de lado: eu nu, alto demais atrás dela; ela pequena na cama grande, preta e pele, cabelo até quase a cintura, gargantilha, meias, salto. As mãos à frente. Os pulsos que eu tinha beijado, agora presos.
Rasguei o pacote.
Enrolei o látex.
Voltei para trás dela.
Passei a mão pela bunda, abri, e enfiei dois dedos outra vez. Sakura gemeu, já sensível, e mesmo assim empurrou contra a mão. Masturbei ela assim, os dedos curvados, o polegar no clitóris, até o quadril dela perder o ritmo outra vez. Inclinei. Chupei. Rápido. Sujo.
Dessa vez não veio risada.
O som que ela fez foi mais baixo, mais curto, um “porra” abafado no tecido escuro, as coxas tremendo sem a graça de antes. O segundo orgasmo a pegou mais fundo e mais rápido, e quando passou ela não virou o rosto para me provocar. Ficou com a testa no colchão, a boca aberta, tentando achar o ar. Os dedos se abriram e fecharam dentro das algemas, inúteis. Um fio de cabelo colado no lábio.
Esperei.
Um segundo. Outro.
Sakura puxou o ar. Soltou. Ainda não falou.
Passei o pau na entrada.

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