Wallace fora claro. Às três da madrugada, a mansão onde a menina estava ficou totalmente iluminada, médicos entrando e saindo, ambulância, um movimento fora do comum.
Eles analisaram tudo. Se Lílian ligasse ao amanhecer, significava que o problema era grave. Muito grave. Porque, se a criança fosse entregue a Isabela naquele momento, se algo acontecesse enquanto estivesse sob a responsabilidade dela, o desfecho seria óbvio.
E o mais irônico?
Pela reação de Cristiano agora, ele não fazia ideia de nada. Absolutamente nada.
Isabela quase riu. Ele passou a noite inteira “procurando” a criança… Mas procurando como?
— Mas pode ficar tranquilo. Eu já resolvi essa parte para vocês. Chamei a polícia.
O maxilar de Cristiano travou.
— Você… O quê?
— Liguei para a polícia. Uma criança desaparecida é coisa séria demais para fingir que não está acontecendo, não acha?
Ele permaneceu em silêncio.
Ela chamou a polícia?
Teve coragem de chamar a polícia?
O que aquilo significava? Que não tinha medo de investigação? Que o desaparecimento não tinha absolutamente nada a ver com ela?
A mão dele apertou ainda mais o pulso dela. Isabela sentiu a dor, mas não recuou. Pelo contrário, o sorriso no canto da boca se ampliou.
— Sabe por que eu fiz questão de ligar?
A voz dela era baixa.
Cristiano a encarou, duro.
— Por quê?
Isabela inclinou levemente o rosto, os olhos brilhando frios.
— Porque...
Ela não disse mais nada. Apenas pegou o celular. Sem pressa, tocou na tela e apertou play.
A gravação começou a ecoar pela sala. Talvez Lílian estivesse desesperada demais naquela manhã. Antes, sempre tomava cuidado. Nunca falava claramente. Nunca deixava provas. Mas naquele dia deixara. E Isabela gravara cada palavra.
A voz de Lílian saiu pelo alto-falante.
— Eu entrego a criança para você. Em troca, você se divorcia do Cris. Manda alguém buscar. O endereço é…
Na gravação, a própria voz de Isabela surgiu, firme.
— Não precisa.
— O quê?

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