No hospital.
Quando Sabrina se aproximou discretamente da cama e lhe trouxe a última notícia sobre a criança, o rosto de Lílian perdeu toda a cor.
— O que você disse? Minha filha já… Já…?
A voz embargou antes que conseguisse terminar.
Os olhos começaram a arder.
Sabrina percebeu que ela estava prestes a perder o controle e fez rapidamente um gesto pedindo silêncio.
— Shhh. Não fala alto.
A respiração de Lílian ficou descompassada.
— Não… Como assim? Como pode?
Ela forçou o tom para baixo, enquanto as lágrimas se acumulavam nos olhos.
Sabrina suspirou.
— Esse bebê já não vinha bem… Não era para ficar.
Poucas palavras.
Secas.
Lílian ficou imóvel por um segundo.
Então as lágrimas começaram a cair, uma após a outra.
Desde o momento em que decidira usar aquela criança como peça no jogo, já sabia que o bebê dificilmente sobreviveria.
Mas saber era diferente de ouvir a confirmação.
Afinal, era sangue do seu sangue.
Mesmo que fosse uma peça.
Mesmo que tivesse sido um cálculo.
Sabrina falou, prática:
— Agora que a criança se foi, você só precisa insistir que foi culpa da Isabela. Que foi ela que causou isso.
O peito de Lílian doía.
Uma dor surda, difícil de explicar.
Mas, por trás das lágrimas, algo começava a endurecer outra vez.
O jogo ainda não tinha acabado.
O plano inicial era simples.
Usar o desaparecimento da criança para incriminar Isabela.
Forçar Cristiano a se divorciar dela.
Depois, o plano se tornara ainda mais cruel.
Fazer com que Cristiano, com as próprias mãos, mandasse Isabela para a prisão por causa daquele bebê.
Agora, a criança estava morta.
E morrera exatamente no momento em que Cristiano acreditava que fora Isabela quem a levara.
O destino parecia ter escolhido o instante perfeito.
Com os olhos ainda vermelhos, Lílian enxugou as lágrimas e respirou fundo.
— Passe essa notícia para o Cristiano.
Sabrina assentiu.
— Certo.
Lílian a segurou pelo braço. A voz saiu baixa e tensa:
— Faz isso direito. O ideal é que sejam os próprios homens do Cris que descubram onde a criança estava.
Sabrina entendeu imediatamente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar