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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 239

A paciência de Cristiano estava no limite.

— Por quê?

A voz saiu contida, mas carregada de tensão.

Isabela ergueu os olhos devagar.

— Por quê? Porque, se eu não tivesse me prevenido, quem estaria internada por intoxicação alimentar seria eu.

Na primeira vez, fora ele mesmo quem mandara trazer aquela sopa.

E ela acabou no hospital.

Agora, pela segunda vez.

Ainda bem que desconfiara antes.

Isabela lançou um olhar de lado para ele, indiferente.

— A família Pereira me dá azar.

Era uma frase que Bruna costumava repetir.

Depois que Isabela perdera o primeiro filho, Bruna vivia dizendo que ela trazia má sorte para a família Pereira.

Agora, Isabela devolvia a maldição.

O rosto de Cristiano se fechou.

A televisão da sala estava ligada.

Uma notícia passava ao vivo.

— De acordo com as evidências fornecidas pelo Grupo Pereira, a investigação confirmou as irregularidades. Matheus responderá judicialmente por seus atos.

Ao ouvir "evidências fornecidas pelo Grupo Pereira", Isabela virou o rosto lentamente para Cristiano.

Ele também se enrijeceu.

Um brilho frio atravessou seus olhos.

Claramente insatisfeito com a forma como Samuel lidara com aquilo.

Isabela pousou a colher.

O som metálico foi suave, mas seco.

— Foi você quem entregou as provas de que o Matheus cometeu irregularidades enquanto estava no cargo?

Cristiano a fitou.

Não respondeu.

Apenas desviou o olhar e caminhou até o sofá, sentando-se como se a pergunta não merecesse resposta.

Quis acender um cigarro.

Chegou a tirá-lo do maço, prendeu-o entre os dedos, mas não o acendeu.

Isabela o observava.

— Você entregou as provas contra o Matheus. Então você também sabe que eu estava grávida, não sabe?

Cristiano ficou imóvel.

A palavra "grávida" pareceu travá-lo por um segundo.

Isabela se lembrou da reação dele naquela manhã, quando ouvira a gravação.

E riu.

Um sorriso lento se formou em seus lábios.

Irônico.

Cruel.

Se ele conseguira reunir provas de que Matheus cometia irregularidades, então sabia que ela estava grávida.

E, se sabia disso, também já devia ter entendido quem Lílian era de verdade.

Então, naquela manhã.

Ele estava acreditando em Lílian?

Ou simplesmente a estava protegendo?

Cristiano permaneceu em silêncio.

Aquelas palavras o atingiram em cheio.

Grávida.

Aborto.

Desde o dia anterior, ele evitava encarar aquilo de frente.

Agora, ouvindo da boca dela, o peito se apertou dolorosamente.

Ele fechou os olhos por um instante.

Isabela soltou um riso curto e frio.

Então ele sabia que ela estivera grávida.

Sabia que ela perdera o bebê.

Mas, ainda assim, recusava-se a ligar os fatos a Lílian.

Era isso.

— E eu perdi como? — A voz dela ficou mais baixa, mais afiada. — Porque eu sou fraca? Porque meu corpo não presta?

Cristiano abriu os olhos.

— Não importa como você perdeu. Ainda assim, você não devia mexer com os filhos do meu irmão.

Isabela ficou imóvel.

"Meu irmão."

Ele não disse o nome de Lílian.

Mas, para ela, não fazia diferença.

No fundo, ele estava protegendo a mesma pessoa.

Protegendo os filhos dela.

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