Naquele momento, Cristiano seria capaz de matar Isabela com as próprias mãos.
A mãe dele podia ter errado. E tinha errado muito. Mas uma coisa não justificava a outra. Se Bruna merecia desprezo, Isabela que a ignorasse. O que ela não podia era se achar no direito de pisar nas duas daquele jeito, ainda por cima sendo mais nova.
Cego de raiva, Cristiano foi direto para o quarto de Isabela.
Havia seguranças na porta.
Assim que ele se aproximou, barraram sua passagem sem o menor respeito.
Aquilo bastou.
Cristiano perdeu o resto de controle que ainda tinha e partiu para cima deles.
Ele sempre soubera brigar. Tinha força, reflexo e não costumava levar desvantagem em confronto físico. Mas ali não era uma briga justa. Derrubava um, vinha outro. Recuava um passo, já apareciam mais dois. E, antes que conseguisse abrir caminho, reforços chegaram correndo.
Não importava o quanto lutasse. Sozinho, ele não teria chance.
Em poucos minutos, já estava no chão, imobilizado.
Debatendo-se com fúria, rosnou entre dentes:
— Me soltem. Isabela! Aparece!
Wallace parou diante dele e o observou de cima, sem mover um músculo do rosto, enquanto os homens o mantinham preso contra o chão.
Ao perceber que Cristiano ainda pretendia armar escândalo e acordar Isabela, Wallace nem hesitou:
— Tirem ele daqui.
Era assim que as coisas funcionavam agora.
Depois que Isabela se recolhia, ninguém tinha permissão para incomodá-la.
Ninguém.
Nem mesmo Cristiano.
— Isabela!
Ele ainda tentou gritar de novo, mas um dos seguranças tampou sua boca na mesma hora, e os homens o arrastaram escada abaixo.
Bruna e Taís tinham provocado aquilo de propósito.
Na cabeça das duas, bastava Cristiano ver a humilhação delas para perder a cabeça e ir atrás de Isabela. E, uma vez provocado, era óbvio que ele não deixaria barato.
Só que a realidade veio como um tapa.
Ele mal tinha chegado ao andar de cima e já voltava dominado, arrastado como se não valesse nada.
O tratamento que davam a ele não era diferente do que tinham dado a Bruna e Taís.
Ao ver o próprio filho naquele estado, Bruna sentiu o sangue subir aos olhos.
— Soltem ele, seus desgraçados!
Ela avançou na direção deles, transtornada.
— Quem vocês pensam que são para fazer isso com a gente dentro da casa da família Pereira?
Nem terminou de avançar.
Uma das empregadas foi até ela e, sem dizer uma palavra, acertou-lhe um tapa no rosto.
O tempo pareceu parar.

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