— Quando você pretende pôr um fim nisso tudo? — Sérgio quebrou o silêncio.
— Quando eu voltar, Lílian, Taís e Bruna já vão estar atrás das grades.
Assim que retornasse ao país Y, aquilo também terminaria.
Quando Bruna ouvisse a sentença, talvez finalmente entendesse que teria sido muito melhor continuar na família Pereira. Pelo menos, teria continuado viva.
Mas, com aquele maço de provas nas mãos, ela praticamente havia assinado a própria sentença de morte.
Sérgio assentiu.
— Antes de voltar, acabe de vez com o Cristiano também. Não quero que reste nenhum vínculo entre vocês.
Ao ouvir aquilo, o coração de Isabela deu um baque.
Ele não precisava dizer mais nada. Só de tocar nesse assunto, já deixava claro o que sentia por ela.
Isabela pousou a xícara de café sobre a mesa. Quando tornou a encará-lo, seu olhar já estava muito mais firme.
— Nem precisa dizer nada. — Sérgio a interrompeu, no exato instante em que ela ia abrir a boca.
Isabela ficou em silêncio.
Sérgio continuou:
— Quando isso acabar de vez, você vai poder recomeçar.
— Mesmo que eu recomece... Ainda não me sinto digna disso.
Sérgio sustentou o olhar dela.
— Isso não cabe a você decidir. Seu irmão já me deu a resposta.
— O quê?
No instante em que ouviu que Yari havia concordado, Isabela ficou paralisada.
Depois de alguns segundos, perguntou:
— O que foi que ele te prometeu?
Sem desviar os olhos, Sérgio respondeu:
— Que tal na primavera do ano que vem? Nessa época, o clima no país Y é bem agradável. Perfeito para um casamento.
Isabela arregalou os olhos.
— O quê?
Saber que Yari tinha concordado já tinha sido um choque. Mas ouvir Sérgio falar em casamento fez seu peito apertar ainda mais, como se algo lhe travasse a respiração.
— Por que você está fazendo isso?
Ao encarar aqueles olhos profundos, Isabela viu com clareza a determinação inabalável que havia neles. E isso só fez seu coração doer mais.
Sérgio falou, num tom calmo:
Eles ainda conversaram por um bom tempo.
Sérgio, no entanto, nunca explicou de fato que tipo de ligação havia entre os dois. E, como ainda por cima jogara de repente aquela ideia de casamento, Isabela saiu dali atordoada, como se nada daquilo fosse real.
Cristiano seguiu para o centro da cidade no carro de Renato.
Parados num semáforo, os dois viram ao mesmo tempo Sérgio abrir a porta do carro para Isabela, num gesto íntimo demais para passar despercebido.
Na mesma hora, o sangue de Cristiano esfriou.
Renato lançou um olhar instintivo para ele.
— Cara... Isso aí...
Cristiano travou a mandíbula.
— E, mesmo assim, ela continua se recusando a se divorciar. Afinal, quem ela está tentando humilhar? Eu ou o Sérgio?
Aquilo era enlouquecedor.
Renato não soube o que dizer.
Era óbvio que o humilhado ali era Cristiano.
A essa altura, qualquer um com olhos na cara já conseguia entender por que Isabela tinha voltado para a mansão da família Pereira.
Cristiano estava tão consumido pela fúria que parecia capaz de arrastar Isabela para o abismo junto com ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...