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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 786

Yari foi embora.

Isabela soltou um suspiro. A pedido do mordomo, uma das funcionárias preparou para ela um prato de macarrão típico de Nova Aurora.

Bastou provar a primeira garfada para sentir o apetite despertar. O tempero estava perfeito, e o aroma era irresistível.

Pensando bem, desde que voltara ao país Y, a comida talvez fosse a única coisa à qual conseguira se adaptar sem esforço.

Mesmo nos dias em que o treinamento com Rebeca avançava além do horário do almoço, as refeições eram preparadas por um cozinheiro de Nova Aurora e entregues onde elas estivessem.

Isabela ainda comia quando Wallace entrou.

— Senhorita.

Ela ergueu os olhos.

— Quero que investigue por que Sérgio ajudou Lílian.

Por mais que refletisse, continuava achando que confrontá-lo diretamente não seria uma boa ideia. Antes de qualquer conversa, precisava saber o que realmente havia acontecido.

Wallace não conseguiu disfarçar a surpresa.

— O senhor Sérgio ajudou Lílian?

Até onde sabia, Sérgio sempre estivera ao lado de Isabela, principalmente em tudo o que dizia respeito à família Pereira.

Em condições normais, não havia motivo algum para que ajudasse aquela mulher.

Mesmo assim, Isabela acabara de lhe pedir justamente que descobrisse por que ele fizera aquilo.

— Sim. Quero saber o que existe por trás disso.

"Espero que a resposta não me decepcione."

— Pode deixar comigo.

Depois da confirmação, Wallace também ficou sério.

Sérgio havia ajudado Lílian.

Aquilo, por si só, já era uma péssima notícia.

A investigação sequer começara, mas, para Wallace, o motivo pouco importava. Independentemente das circunstâncias, Sérgio jamais deveria ter estendido a mão para aquela mulher.

Isabela terminou de comer e subiu.

Mal chegara ao andar de cima, o celular tocou.

Era Lílian.

Assim que atendeu, ouviu a voz carregada de provocação do outro lado da linha.

— Você deve estar morrendo de raiva de mim agora, não é? Com vontade de me matar?

— Já que sabe disso, seria bom começar a dar mais valor à própria vida.

Lílian se calou por um instante.

Isabela prosseguiu:

— Há pouco tempo, na mansão da família Pereira, você descobriu como pode ser difícil continuar viva.

Se alguém havia aprendido o verdadeiro peso da sobrevivência naquele lugar, eram Lílian e as pessoas que estavam com ela.

Naquela época, todas queriam viver.

Para Isabela, aquilo só tornava tudo ainda mais absurdo.

No fim, havia mesmo uma verdade da qual ninguém escapava.

Os vivos jamais conseguiam competir com os mortos.

Ou talvez, depois de tantas reviravoltas e de perder tudo, Lílian finalmente tivesse percebido que Marcos fora a única pessoa que realmente a tratara bem.

Só agora se lembrava de valorizar isso.

— Se você estiver disposta a deixar minha mãe em paz...

Lílian mudou de assunto de repente.

Isabela franziu a testa.

— Ainda chama aquela mulher de mãe? Ela abandonou você. Quando mais precisava dela, virou as costas e foi embora.

Isabela não esperava que, depois de tudo, Lílian ainda tentasse negociar em favor de Vanessa.

Em circunstâncias normais, depois de ser expulsa da mansão da família Pereira e não receber qualquer ajuda da mãe, seria natural que passasse a odiá-la.

Então por que ainda queria livrá-la daquela situação?

As palavras atingiram Lílian em cheio.

— Cala a boca! Isabela, uma órfã como você não entende nada! Você não sabe de coisa nenhuma!

Isabela ficou em silêncio.

Dessa vez, Lílian havia tocado num ponto que não devia.

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