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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 776

Assim que ouviu aquelas palavras, Karine sentiu a irritação subir de uma vez.

— Dos dois?

— Dos dois. Esse filho é seu e do Antônio. Você não pode tomar essa decisão sozinha.

Ela respirou fundo, tentando se controlar.

— Puta que...

— Ei. Sem palavrão.

Renato a cortou antes que ela terminasse.

Karine quase perdeu a cabeça.

"Dos dois? Que conveniente."

Quando a discussão era por causa daqueles cem reais, parecia que tudo era culpa dela. Agora que o assunto era o bebê, de repente a responsabilidade era compartilhada.

Ela lançou um olhar duro para Renato.

— Para de se meter.

Sem esperar resposta, virou as costas e entrou no hotel.

Naquele momento, finalmente entendeu por que Isabela implicava tanto com os amigos de Cristiano.

Homem defendia homem. Não importava o quanto o sujeito estivesse errado.

E pensar que Isabela ainda gostava do Renato...

Karine, por sua vez, mal conseguia olhar para a cara dele.

O pior era que, mesmo depois de ouvir um "para de se meter", Renato continuava atrás dela como se não tivesse escutado nada.

Quando as portas do elevador se abriram, ela entrou. Renato entrou logo em seguida.

Karine esticou o braço e impediu que as portas se fechassem.

— O que é que você quer, afinal?

— Até o Antônio chegar, eu não saio do seu lado.

Ela o encarou, incrédula.

— Você tá ouvindo o absurdo que acabou de dizer? Você é homem. Se eu entrar no quarto e resolver dormir, também vai entrar comigo?

"O Antônio enlouqueceu de vez?"

Já tinha sido inacreditável ele descobrir tão rápido que ela estava grávida.

Agora ainda mandava o Renato ficar na cola dela.

Era o cúmulo.

Ela tinha ido até Santa Vitória justamente para resolver a questão da gravidez longe dos olhos de Antônio. No fim das contas, não tinha adiantado absolutamente nada.

Cansada, irritada e sem um pingo de paciência, Karine só queria que aquilo acabasse.

Renato deu de ombros.

— Pode ficar tranquila. Não vou incomodar você.

Enquanto falava, tentou passar por ela.

Karine continuou bloqueando a entrada, os braços cruzados.

— Você acha que esse é o problema?

Ele soltou um suspiro resignado.

— Fazer o quê? Também não tenho escolha.

Karine ficou sem reação.

"Não tem escolha?"

Quando estavam bem, quase sempre era ela quem cedia.

Mas agora era diferente.

Depois de toda a humilhação que a mãe dele lhe fizera passar, continuar cedendo significaria aceitar tudo calada.

Do outro lado da linha, Antônio respondeu sem hesitar:

— Amanhã cedo eu chego.

— Não me interessa quando você chega. Manda o Renato ir embora agora. Eu não quero ninguém me vigiando.

— Até eu chegar, ele não sai daí.

Karine apertou o celular com tanta força que os dedos ficaram tensos.

— Você...

Antônio a interrompeu.

— Esse filho também é meu. Você não pode decidir tudo sozinha.

Ela deu uma risada seca, carregada de ironia.

— O bebê está dentro de mim. Se eu não posso decidir, então quem pode? Você?

— Ele também é meu.

Karine respondeu sem vacilar:

— Se eu disser que não é, então não é.

— Karine!

A voz de Antônio explodiu do outro lado da linha.

Ele já não fazia o menor esforço para conter a própria irritação.

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