Exatamente como Isabela havia dito a Wallace.
O celular de Lílian quase explodiu de tantas ligações de Marcelo. Agora, porém, ela simplesmente não tinha coragem de atender.
Pela vibração insistente e apressada, era fácil imaginar a fúria de Marcelo do outro lado da linha.
Como ela não atendia, uma mensagem logo apareceu na tela.
[Atende o telefone, sua vagabunda. Atende!]
Ao ver aquela palavra, vagabunda, enviada pelo número de Marcelo, o coração de Lílian estremeceu sem controle.
[Não vai atender, é isso? Então nunca mais me procure. Para mim, você nunca existiu.]
Do outro lado, Marcelo parecia saber exatamente do que Lílian mais tinha medo naquele momento.
Sem piedade, ele atingiu justamente o ponto mais fraco dela.
E Marcelo acertara em cheio. Bastou Lílian ler aquele "para mim, você nunca existiu" para tomar a iniciativa de ligar de volta.
Assim que a chamada foi atendida, Marcelo gritou do outro lado, completamente fora de si:
— Eu disse que era para deixar a criança viver!
Cada palavra vinha carregada de ódio, espremida entre os dentes.
O peito de Lílian se apertou ainda mais, como se ela fosse sufocar.
— A criança vive, e eu morro?
Marcelo ficou em silêncio.
Lílian berrou ao telefone:
— Você disse que, aconteça o que acontecer, a criança precisa sobreviver. Mas e se o preço para ela sobreviver for a minha vida?
Na verdade, até aquele momento, ela ainda mal conseguia acreditar que sua relação com Marcelo tivesse chegado àquele ponto.
Também não queria acreditar que aquele Marcelo dos últimos tempos fosse o verdadeiro Marcelo.
Afinal, antes ele havia sido tão bom...
Tão bom que, mesmo não sendo tão brilhante quanto Marcos, ela ainda assim estivera disposta a entregar tudo por ele.
Ele cozinhava para ela. Preparava chá de gengibre quando ela não se sentia bem.
Ele lhe dera aquele calor simples da vida cotidiana, algo que Marcos jamais havia permitido que ela sentisse.
Eles tinham sido tão felizes juntos.
Então por que, agora, tudo havia dado tão errado?
— Quando Wallace ligou, você ouviu tudo o que ele disse. Elas querem que eu morra! O veneno estava bem na minha frente. Elas queriam que eu morresse!
— Se você morrer, a criança pode viver, não pode? — Respondeu Marcelo.
Lílian ficou muda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...